Relacionamento

Sobre o AMOR…. Uma visão otimista em tempos de desejos e relações instantâneas

[…] Assim, de muitos lados se reconhece que Amor é entre os deuses o mais antigo. E sendo o mais antigo é para nós a causa dos maiores bens. Não sei eu, com efeito, dizer que haja maior bem para quem entra na mocidade do que um bom amante, e para um amante, do que o seu bem-amado. Aquilo que, com efeito, deve dirigir toda a vida dos homens, dos que estão prontos a vivê-la nobremente, eis o que nem a estirpe pode incutir tão bem, nem as honras, nem a riqueza, nem nada mais, como o amor.

 (Platão- O banquete)

Ah! o Amor… Esse que é um dos sentimentos mais importantes, discutidos e estudados, que é órfão de origem (afinal, quem inventou o Amor?) tão forte em si e por si que de singular se transforma e se expressa em plural, provém tantos outros sentimentos e emoções. Nem todos nós viemos ao mundo por um ato de amor (sinto muito se isso acaba com as suas ilusões!), mas todos nós temos a capacidade de amar.

Do amor romântico…

Um apaixonado Freud escreveu à sua amada: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!” porque realmente o amor nos torna fortes, amor que recebemos e também o que nós retribuímos, porque o amor é um verbo de ação que exige esforço diário. Em tempo: não confunda esforço com desgaste, é necessário empenho, interesse, cuidado, estímulo e vigor SIM! Se por acaso o seu sentimento for um fardo que lhe causa estresse, fraqueza, esgotamento e dor fique atento, pois acredito que aí haja falta de amor, a começar pelo próprio!

O amor é forte, mas também suave, preenche, mas não pesa uma grama, bonito, livre e também uma escolha ao ponto que todo amor necessita de uma dose diária de cuidado e investimento de energia, porque se a paixão abre uma porta o amor constrói uma casa inteira. Isso requer certa consistência e consciência de que algumas vezes vai ser difícil a vida á dois (a três, ou quantos você quiser, afinal o poliamor está aí! ;), pois há que se respeitar e valorizar a individualidade do outro, sem esquecer de  respeitar e valorizar a si.

Que datas especiais são todos os dias em que você se sente grato por estar junto, pelas pequenas alegrias e aprendizados, e tal como nós o amor precisa ser alimentado todos os dias, e nem é preciso tanta fartura e abundância, mas é mais que preciso reciprocidade. Em alguns dias será mais doce, outros azedo, de vez em quando salgado e pode até ser amargo uma vez ou outra, mas na maioria dos dias será uma grande mistura, então saboreie.

Amor trata-se de criar conexões, de formar um laço onde você vai aprender a ceder e dividir, mas no final você sempre sai ganhando algo.

Do ponto de vista fisiológico…

 De acordo com a ciência o amor é um estado complexo, onde a paixão no primeiro momento nos leva a um looping hipermotivacional, com excesso de dopamina – que nos causa uma embriagues e compulsão pelo ser “amado” – e baixa serotonina – que nos impede de comer, dormir e nos deixa obcecados pelo nosso objeto de paixão! Essa bagunça química é intensa e passageira, já que uma hora o cérebro vai encontrar um caminho de voltar ao equilíbrio e a paixão acaba.

Para a ciência o amor só surge numa segunda fase do processo, que nem sempre ocorre, mas quando acontece diminui o estresse, você se sente profundamente conectado ao seu companheiro, vai – se a embriaguês da paixão, e vem a sobriedade reflexiva de um relacionamento emocional, você passa a pensar mais em outras coisas além do seu par. A intensidade eufórica da paixão é substituída gradativamente pela conexão emocional que é construída com companheirismo, carinho, cuidado, amizade, intimidade e etc.

Você pode conhecer todos os mecanismos envolvidos nesse sentimento tão plural que chamamos de amor, pode entender fisiologicamente todos os processos e etapas que o levam da paixão ao amor, as aéreas cerebrais e estruturas que são estimuladas, a função do córtex, a quantidade dos hormônios e neurotransmissores, e ainda assim você não estará imune, tão pouco terá controle sobre toda a dinâmica fisiológica do amor.

Saber tudo isso pode até ser reconfortante, pode torna-lo mais seletivo e criterioso, mas invariavelvemente, você irá se apaixonar em algum momento da vida e nada disso garantirá que 1º você Será correspondido,  2º  terá condições de controlar todas as variáveis, pois se existe uma coisa que é certa é que você pode ter 12 anos ou 82, quando você  se apaixona, você vai sentir e agir de forma semelhante.

Ainda que a paixão envolva um processo de obssesão e demência (ainda que temporária!), você não tem controle sobre os desejos, principalmente quando se tratam de questões emocionais, de se conectar a outra pessoa. Mas entenda, existem pessoas que passarão a vida toda sem se apaixonar uma única vez (e não serão menos felizes por isso), outras que se apaixonaram pelo menos uma vez ao dia (pela mesma pessoa ou por pessoas diferentes) e outras que encontrarão um amor com quem construirão uma relação longa, íntima e duradoura.

Em todos os casos não há garantias, por isso insisto que cultive sempre o amor por si mesmo, sendo o amor tão potente e transformador você não deve condicionar a sua felicidade ou sanidade ao outro, ainda que esse outro seja “(um) O (dos) Amor (es) da sua vida”, você deve aprender desde já que o amor da sua vida será sempre você, e por isso tem de aprender a se amar e a ser feliz sozinho, e não colocar essa responsabilidade no outro que também precisa dar conta de encontrar o seu feliz sozinho,  e só assim será possível construírem um ser felizes juntos.

Do amor tudo que sabemos é que nunca saberemos de tudo, mas no fim: “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?”.

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Autora: Cristina Santana

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