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Sobre meninos e Homens- Não seja um Neandertal!

Nasce um menino…

Antes mesmo disso, ainda na barriga da mãe, a descoberta de que seria um menino, já vem carregada de imposições  sutis (ou nem tanto) de como ele deve ser, que cor ele deve usar, para que time deve torcer, o esporte que vai gostar, porque afinal de contas ele é um menino e essas coisas são essenciais para definir que tipo de homem ele será, para garantir que ele será do único tipo aceitável.

 Familiares e amigos já parabenizam os pais projetando suas expectativas futuras:  “vai ser pegador”,  “o terror das meninininhas”,  “vai ser bom de bola”, e é esse o tipo de homens de que estamos falando:  Altamente sexualizado ainda na infância, competitivo,  destemido, viril, forte, imponente, poderoso, agressivo, (porque homem que é homem  não leva desaforo para casa) emocionalmente duros como pedra, sólidos e impenetráveis.

Como deve ser duro nascer com esse peso todo nas costas, como deve ser pesado corresponder a essas idealizações e claro a função social que eles majoritariamente tem que cumprir, não que as meninas também não as recebam desde o ventre materno, mas meninos, meninos não são meninas, meninos sequer são meninos, meninos já nascem homens!

Cheios de expectativas, de obrigações e proibições, já nem é mais sobre não poder chorar, é sobre o descontentamento de crescer em conflito, condicionados por uma perspectiva que restringe a sua masculinidade, a sua personalidade e que os torna limitados.

Eis que surge o homem…

Homens pegam o que querem, quando querem e do jeito que querem porque são homens simples assim, essa é a verdade maior e a justificativa!

Homens não precisam se esforçar muito, pois sempre haverá uma mulher (ou mulheres) competindo para lhe servir, agradar e fazer feliz, de mamães e vovós, a namoradas e as outras mulheres competindo ferozmente pela sua atenção, porque afinal o privilégio é todo delas ou DELES, porque o ser homem não está restrito a heterossexualidade, gays e homens trans também estão inclusos e fatalmente muitos deles acabam incorporando o conceito do ser homem exatamente nos mesmos moldes.   .

Se pensarmos bem esse parece um retrato extremista e distante, pré-histórico até, os homens não são mais assim. Lamentavelmente, esse é o homem que ainda é exaltado, esse ainda é o exemplo mais expressivo do que é ser homem, você só precisa olhar com o minimo de atenção, na internet, nas noticias de jornal, dentro da sua casa ou família, alguns de forma mais pronunciada, outros de maneira velada, mas  muitos homens ainda vivem como nas cavernas e infelizmente uma grande maioria é assim, reproduz essas concepções na vida e na educação de seus filhos, e por viverem de acordo com essas noções do que é ser homem, estabelecem uma relação doentia de poder, controle , posse e dominação sobre o outro, por um lado são opressores com mulheres, com outros homens que considerem menos homens, são abusivos, voluntariosos, violentos (pensando nas muitas formas de violência), e é ai que a dinâmica se altera e homens tornam-se meninos, meninos malcriados, mimados e birrentos.

Então no fim das contas homens são meninos assustados, inseguros e com medo.

Por outro lado eles sofrem para manter esse modelo, adoecem e morrem mais cedo que as mulheres, porque não sabem pedir ajuda, porque não sabem como ser diferentes, porque conhecem pouco de si mesmos e se encasulam, porque não sabem que o ser homem, não é uma condição fixada na pedra lascada. Alguns nem conseguem se dar conta de que essa conduta de macho dominante lhes causa tanto mal, porque foi sempre assim não é? É natural do homem…

 Não senhores, não é!

Somos seres sociais, logo aprendemos, portanto você aprendeu a ser como é, mas a vida é um constate aprender e  transformar-se, então aproveite para repensar no que é ser homem e no homem que você é, e se a sua machesa prejudica a você ou a outros, penso que é hora de aprender a ser um homem diferente.

Longe de mim, querer definir a masculinidade ou limitar o que é ser homem, esse é um universo que percebo como uma infinita gama de possibilidades, do qual eu imagino que não mais seja possível definir com rigor a masculinidade, talvez possamos pensar em masculinidades no plural, embora a forma como cada um expressa sua masculinidade seja singular.  Me atrevendo a ( ser presunçosa) dizer o que eu penso,  se algo que faça você se sentir inferior por simplesmente ser quem é, que te prive de experimentar e conhecer, de estar em contato e expressar seus sentimentos, que te diga que você tem que conquistar  tudo a força,  ou que você merece mais que outros por ser homem, como se fosse um direito de nascença só porque você  foi  “privilegiado”  ao nascer com um pênis; Que faça você pensar que é indestrutível, uma máquina  sexual que funciona 24 horas por dia,  e que TUDO que for o contrário disso ameaça sua masculinidade, meu amigo tem algo de muito errado nisso tudo aí!

O mundo está se transformando, e felizmente os homens também, almejar que todos sejam perfeitos é um delírio utópico absurdo, nenhuma pessoa jamais será absolutamente completa, exata e perfeita, e esse não é o objetivo, o ponto é trabalhar juntos para que eles também tenham mais liberdade, se valorizem, se amem e apreciem ser homens. É  necessário combater esse tipo de estereótipo que é altamente prejudicial para todas as pessoas, e evidentemente ainda mais nocivo e destrutivo para os homens.

Quando se pensa na masculinidade instituída a primeira questão que vem a cabeça é a sexual, tudo é voltado para a sexualidade, para resolver, para clarificar, para ensinar como proceder, mas não podemos reduzir os homens a somente uma massa sexual que carece de resolução, é muito mais amplo, homens são pais, amigos, filhos, profissionais, pessoas! Temos que pensar em uma transformação maior, que valorize a pessoa, que possibilite que ele se empodere-se de si mesmo, que os torne menos inseguros com relação ao seu corpo, seus sentimentos, seus desejos e escolhas, a sexualidade é a questão  que abriu as discussões, mas  existem outras demandas urgentes, que vão desde a negligência com os cuidados com a saúde  as questões existenciais, ao respeito a si mesmo e ao próximo, um primeiro passo é compartilhar suas ideias, angústias e emoções.

O SER HOMEM JAMAIS DEVE SER UM FARDO…

Ser homem deve antes de tudo ser homem para você, ser integro consigo, se conhecer, estar aberto aos aprendizados e as transformações da vida. Você não precisa corresponder a nenhum modelo, você só precisa estar satisfeito com quem você é. Caso não esteja, cerque-se de pessoas que vão lhe acolher e ajudar a viver sem tanto peso, que estarão ao seu lado para que você não viva de acordo com um papel social, mas que você se liberte e seja mais feliz consigo mesmo.

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Autora: Cristina Santana 

 

 

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