Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre Psicofobia, talvez imagine que seja só mais um termo “da moda” ou alguma nova invenção para falar de gente doida! Algumas pessoas ao ouvirem Psicofobia entendem que estamos falando de uma nova doença mental, o fato é o que o termo pode até ser novidade, mas a prática, ahh essa não tem nada de nova…

Então para não deixar dúvidas: Psicofobia trata-se do preconceito, negligência, rejeição e todo comportamento violento contra pessoas que apresentam transtornos mentais ou deficiências mentais.  E como já sabemos a agressão não necessariamente é física, o constrangimento, a coerção, o descrédito diante do sofrimento que o outro relata, as famosas frases: “Você não está doente, É FRESCURA!”  “Isso é PREGUIÇA!” “Tá doente? Lugar e louco é no hospício!”, entre tantas outras que debocham e depreciam o outro e a sua dor, tudo isso É VIOLÊNCIA! E É SEMPRE BOM LEMBAR QUE: Todos nós estamos sujeitos a padecer de algum transtorno mental em algum momento da vida, seja por uma causa hereditária, um trauma, uma dificuldade que não conseguimos ultrapassar.

 A fobia é uma aversão extrema e irracional de um tipo de objeto, animal, atividade ou situação, popularmente é o medo do medo! Entendemos que a pessoa que apresenta uma fobia precisa de ajuda, trocando em miúdos, se você tem aversão extrema por qualquer pessoa, objeto, animal, atividade ou situação “você está doente” e precisa de tratamento!

E onde se encaixam a Psicofobia e as fobias de ódio? 

Por fobias de ódio podemos entender que essas aversões fundadas em preconceito e intolerância que se manifestam através de comportamentos violentos e letais, por exemplo, a homofobia, lesbofobia, a intolerância religiosa, xenofobia, misoginia e a Psicofobia também! São inúmeras!

Diferente de outras situações, em que a pessoa que apresenta alguma fobia evita entrar em contato com o estímulo que lhe causa esse medo irracional, nessas ditas fobias de ódio, há uma organização para o extermínio do que não toleram, por exemplo, os homofóbicos não evitam a comunidade LGBT, ao contrário, realizam verdadeiras caçadas, agridem brutalmente e matam, o mesmo acontece com todas as outras citadas, a perseguição, a violência e o desejo de erradicar o que é diferente, por ignorância e inabilidade de lidar com o que é diferente.

O mesmo ocorre com todas as outras.

Porque estamos falando sobre isso e qual o impacto nesse Setembro Amarelo?

Entender e combater a Psicofobia e todas as outras manifestações de intolerância e preconceito é vital para que possamos alcançar mais pessoas e assim ofertar e facilitar os pedido de ajuda, nós estamos falando aqui de milhares de pessoas em profundo e extremo sofrimento que não procuram ajuda por medo de serem estigmatizadas, por vergonha de serem apontadas, julgadas e segregadas e muitas dessas pessoas em sofrimento, por temerem o preconceito, acabam por acreditar que só há um meio de acabar com a sua dor.

O suicídio não é apenas um fenômeno intrapessoal, porque a pessoa recebe influências significativas da sociedade, ou seja, de mim e de você. Este meio social a qual ela está inserida, de certa maneira não foi favorável e acolhedor de maneira a dar subsídios para que este indivíduo pudesse sobreviver. Quando a dor psíquica é insuportável, levando a um sentimento de desespero, o suicídio passa a ser visto como uma saída para cessar esta dor.

É nesse cenário que se encontram as implicações do preconceito.

A psicofobia é uma terminologia que indica o preconceito contra as pessoas que tem algum tipo de transtorno mental. A tradução deste termo é o medo daquilo que vem da mente e o suicídio é a expressão letal de que esta mente não está saudável, havendo imenso sofrimento emocional. Fácil é partir de conhecimentos inconsistentes para agir de forma indelicada, baseado em julgamentos negativos, com a pessoa que tentou suicídio ou seus familiares.

Não raro, observa-se falas de que a pessoa que se suicidou ou tentou tal ação, foram mimadas (os) em demasia para não suportar a realidade ou que tentaram suicídio para chamar atenção; quem quer se matar não avisa; estavam possuídas (os); não tinha Deus no coração, entre muitos outros dizeres. Veja que são falas de cunho preconceituoso, uma vez que não compreendem o fenômeno do suicídio.

Agora, reflita: se uma pessoa com ideações suicidas ouve algo semelhante, conseguirá se sentir acolhida para compartilhar sua dor e pedir ajuda? E para uma pessoa que não alcançou a morte em uma tentativa de suicídio, ouvir as mesmas falas ou perceber o sentimento de penalidade (Sugestão: punir ou condenar) das pessoas para com ela ou ainda receber aqueles apoios insignificantes? (o famoso tapinha nas costas) – Tudo isso só vai aprofundar sentimentos e sensações ruins a esta pessoa.

Esse texto é para levar reflexão aos leitores sobre o impacto do preconceito quando se fala de suicídio. Falar sobre esse fenômeno é de cunho importantíssimo porque o número crescente de pessoas que tentaram antecipar sua finitude e de mortes alcançadas por essa via, nos alerta que é preciso fazer algo. É preciso prevenir que pessoas morram e que as que tentaram não tentem novamente. A dor psíquica, seja vinda de qualquer forma, TEM TRATAMENTO e É POSSÍVEL SALVAR VIDAS!

VOCÊ é capaz de prevenir ações suicidas. Como? Acolhendo, sendo empático e indicando a importância de tratamento médico e psicológico. Se você sabe de alguém com ideação suicida, não o julgue, não dê opiniões banais, procure você também por ajuda para saber lidar com a pessoa querida que perdeu o significado da sua existência.

PsicON | A Psicologia conectada com você

Autora: Juliana Queiroz

 

 

Anúncios