Estamos carecas de ouvir que todos nós temos alguma (estranha) mania da qual não se pode viver em paz, se não buscar satisfazê-la.

Há pessoas que roem unhas; Outras mexem constantemente no cabelo; Algumas têm uma coleção da qual se orgulham; Algumas criam rituais antes de sair de casa; Outras não podem ver nada fora do lugar (a começar pelas mães rs).

No termo popular, dizer que temos uma mania é dizer que temos uma vontade incessante e quase que incontrolável de fazer algo que nos traz uma sensação de alívio. Como é o caso de uma pessoa que rói as unhas, por exemplo, não se sabe quando ela começou com aquele “costume”, sabe-se apenas que ela emitiu um comportamento (no caso, roer unhas) frente a uma situação (geralmente negativa ou que causa desconforto) e aquilo lhe deu uma sensação de alívio. O comportamento foi repetido diversas vezes até se tornar um hábito. Ter uma mania, nesse caso, se não trouxer prejuízos físicos, psicológicos ou sociais para o indivíduo, é absolutamente normal.

Para a psicologia, dizer que alguém está em estado de mania quer dizer que a pessoa está em um estado de humor eufórico onde suas atividades físicas e mentais estão elevadas e aceleradas. Produz uma sensação de prazer muito grande, seguido de uma constante irritabilidade e impulsividade. Normalmente, um estado de mania elevado, traz consequências graves para um indivíduo, prejudicando-o em todas as esferas de sua vida.

Os hábitos e impulsos, quando acompanhados destes eventos eufóricos, são considerados doenças, uma vez que o individuo sente dificuldades em parar e extinguir o comportamento. Como é o caso do jogo patológico, por exemplo. Um indivíduo que é impulsivo por jogos de azar começa a ter prejuízos constantes em sua vida pessoal, amorosa, profissional, financeira, entre outros meios, já que tudo começa por diversão. Porém, a euforia e a sensação de prazer torna aquele comportamento impossível de ser parado. A sensação de não saber o que vai acontecer como ganhar ou perder no jogo (o famoso “frio na barriga”) também contribui para o desenvolvimento e agravamento deste transtorno.

49.1. Lilia Cabral
A personagem Silvana (Lília Cabral) na atual novela “A Força do Querer” é uma jogadora compulsiva.

Outro fator é a depressão pós-jogo. Uma sensação de angústia e vazio que faz com que o sujeito tenha que correr atrás de seu ‘vício’ a todo instante. Algo muito parecido com o uso de substâncias psicoativas (drogas, em geral), uma vez que movimentam os mesmos esquemas cerebrais e dominam a vida do indivíduo por completo.

Essas oscilações de humores acompanhadas de impulsividade e a falta de controle em parar, geram efeitos negativos na vida do indivíduo.

Alguns principais transtornos decorrentes dos hábitos e impulsos:

Jogo Patológico – É o recorrente vício em persistir nos jogos, mesmo que isso resulte em consequências negativas. Geralmente, os danos na vida do sujeito ultrapassam os limites de qualquer jogo normal, pois envolvem gastos exuberantes e uma necessidade em aumentar as apostas ou tentar recuperar o dinheiro perdido. Além, dos danos financeiros o jogador patológico sofre riscos psicológicos e sociais.

Oneomania – É a compulsão exacerbada por compras. O comprador compulsivo investe muito tempo e dinheiro comprando coisas das quais não tem necessidade, mas acredita que não consegue viver bem e feliz se não as tiver. Quase nunca sabem da sua real situação financeira e não controla os gastos. São movidos pela frustração e a compra de algo novo lhe dá a sensação de prazer imediato.

Mitomania – É o hábito patológico por mentiras. Os mitomaníacos apresentam um comportamento compulsivo em contar histórias, sem benefícios externos. As histórias são geralmente baseadas em algum aspecto emocional, como medo, culpa, vergonha, busca por aprovação, e os elementos não são improváveis ou irreais, portanto, não deve ser confundido com algum tipo de transtorno causado por delírios.

Cleptomania – É a condição de não resistir ao impulso de furtar objetos, gerando uma tensão (frio na barriga) anterior ao ato, que logo é aliviada após cometê-lo, causando uma enorme sensação de prazer. Geralmente, os objetos não têm valores financeiros ou significativos. São facilmente jogados fora, dados embora ou colecionados pelo cleptomaníaco. O sujeito tem consciência de que é errado ou ilegal, porém não pensam em consequências como ser preso, por exemplo.

Piromania – Distúrbio no qual o indivíduo sente uma sensação de alívio de tensão/prazer em provocar incêndios de forma proposital. É o fascínio e atração pelo fogo e elementos que produzam o mesmo. O sujeito não leva em conta os riscos que um incêndio pode proporcionar, apenas experimenta uma excitação por atear fogo em objetos.

Tricotilomania – É o ato compulsivo por arrancar os cabelos. É um desejo incontrolável que geralmente começa na infância ou adolescência decorrente de situações estressantes. As partes mais comuns são o couro cabeludo e sobrancelhas, mas também há locais como barba, axilas e pelos pubianos. Alguns indivíduos apresentam juntamente a Tricotilofagia que é o ato de arrancar os cabelos e em seguida comê-los.

Toxicomania – Existe um fator de alteração cerebral e hormonal que fazem com que as substâncias psicoativas causem dependência. Porém, existe, em partes, o caráter comportamental e afetivo decorrentes do uso de drogas.

49.2. Becky Bloom
No filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, a personagem principal põe sua vida pessoal, profissional e amorosa em risco por não saber lidar com o seu vício em compras.

Portanto, a grande diferença entre ter uma mania e um vício, além da frequência e intensidade, é saber avaliar os prejuízos e consequências danosas que os hábitos estão trazendo para a vida do indivíduo. As manias, normalmente, são comportamentos habituais e corriqueiros que nos geram a sensação de alívio, porém não geram nenhum dano físico, social ou emocional. Já os comportamentos dos hábitos patológicos vêm sempre acompanhados de uma sensação eufórica, de prazer, seguidos por sentimentos depressivos, angustiantes e uma sensação vazio.

A compulsão ou comportamentos compulsivos são hábitos aprendidos que tem por objetivo proporcionar uma sensação de alívio frente a uma ansiedade produzida pela obsessão de pensamentos que os levam a ideias perturbadoras e intrusivas. Fatores que fazem com que os indivíduos dependentes, de modo geral, tenham personalidades obsessivo-compulsivas.

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Autora: Bruna Gagetti

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