Autoconhecimento, Saúde Emocional

Por que as pessoas são como são?

Essa pergunta muitas vezes fazemos sobre a vida de outra pessoa, mas dificilmente direcionada para nós mesmos. Neste sentido, convido você a se fazer esta pergunta: Por que eu sou como sou? Bem, não é tão fácil chegar a resposta perfeita para ela, mas é possível encontrar uma resposta coerente.

A maneira como somos ou que nos tornamos, é o resultado de uma complexa teia de fatores, a qual, para algumas delas, não fomos convidados a escolher. Herança genética, componentes fisiológicos e alguns aspectos cognitivos, como a existência de uma deficiência intelectual, são fatores que não são possíveis mudar tão facilmente, apesar dos avanços da medicina. Outros elementos que influenciaram nossa forma de ser no mundo, que não vão deixar de existir por fazer parte da nossa história e que de certa maneira também não tivemos a oportunidade de escolher, é estarmos inseridos em uma determinada família, que por sua vez está em uma comunidade ou região e que está incluída em uma cultura maior. Veja que é uma concepção social do micro para o macro e tudo isso tem impacto na maneira como nós somos hoje.

Até a fase da adolescência, todas essas influências recebidas têm valor inestimável para caracterização da personalidade. É como se fossemos uma bucha a qual só absorvemos e não temos maturidade de filtrar o que é bom ou ruim, o que deve ser absorvido ou não. E aí chegamos na adolescência e todos estes líquidos nos inundam e vira uma grande tormenta em alto mar. Tudo isso é necessário para que o seu “eu” consiga se consolidar e chegar na idade adulta. Definitivamente, a idade adulta não é uma fase de marés calmas e águas cristalinas, porque não deixamos de ser uma bucha, mas temos maturidade de filtrar com maior qualidade. Neste momento da vida, os traços de personalidade estão mais estáveis, todavia esta bucha pode entrar em colapso novamente, porque viver não é estático e sim um ir e vir que encontram desde momentos de alegria, satisfação e felicidade, mas também adversidades como perdas de pessoas importantes, dificuldades nas relações interpessoais e financeira, uso de substâncias psicoativas e os desequilíbrios acontecem. Mas, agora você tem o poder de escolhas, de encontrar formas de ajuda, de retomar sua homeostase e continuar adiante.

Esta metáfora sobre o desenvolvimento humano, nos ajuda a refletir sobre a pergunta do nosso texto. Muitas vezes somos agitados, ansiosos, introvertidos, calmos, irritados, entre outros inúmeros adjetivos de ser e estar no mundo. Para chegar nesses adjetivos, você passou por muitas coisas as quais não teve consciência no que iria resultar ou escolheu se tornar dessa maneira para conseguir lidar com tudo o vivenciado.

Agora que sabemos que você é o resultado de fatores genéticos, fisiológicos, cognitivos, afetivos, psíquicos e sociais, como você termina a frase: eu sou o que sou porque…

Seria confortável terminar este texto por aqui, afinal encontramos a resposta. Mas, pela ousadia que há, seguimos o caminho de reflexões e peço que você se convide a se questionar: estou satisfeita(o) com aquilo que sou? Uma pergunta nem tão difícil assim, mas muito pertinente, porque nos dá a possibilidade de entrar em contato conosco, nos autoavaliar, trazer para a consciência nossas qualidades e defeitos. Enfim, uma pergunta nada inofensiva porque nos leva às outras e as respostas nem sempre são satisfatórias.

Mas, não é porque são insatisfatórias que são ruins. Lembre-se: para você ser o que é, houve uma complexa teia de fatores por traz e todo ser humano tende a buscar o que é melhor para si próprio dentro das possibilidades que existe. Muitas vezes estas possibilidades não eram tão positivas, mas era a melhor que tinha naquele momento e isto nem sempre é consciente. Mais tarde observamos ter falhado, mas isso só é possível pela experiência que viveu, caso contrário você não chegaria a esta nova conclusão.

Se você chegou neste momento da reflexão, a de observar que mudanças seriam no mínimo interessante, não vá achando que é só jogar tudo para o alto porque agora resolveu ser feliz. Mudanças as vezes são necessárias e ajustadas dentro do que você é. Isso se chama aceitação e respeito pela pessoa que se tornou. Ao conseguir esse olhar empático para dentro de você, favorecerá que o seu olhar para aquilo que está fora de si, ao seu entorno, mude. Veja, não são os fenômenos externos que mudaram e sim você!

PsicON | A Psicologia conectada com você

Autora: Juliana Queiroz

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