Sobre a personalidade: Síndrome de Gabriela ou Metamorfose ambulante?

Uma palavrinha tão conhecida, uma das mais importantes bases da Psicologia, a Personalidade é, talvez, a que contenha mais significados e possibilidades, e como é complicado tentar explicar a personalidade diante de tantas facetas, variedades e teorias.

Podemos dizer que a personalidade é o encontro de características comuns e, sobretudo de caraterísticas peculiares que caracterizam e diferenciam as pessoas umas das outras, ou seja, o que nos torna únicos, o que compõe nossa individualidade. É o modo de ser de cada um, sua essência, é o que faz de você quem você é.

Mas somos sempre do mesmo jeito? Seria a personalidade a primeira verdade absoluta? Rígida e imutável? É comum ouvir que não se muda a personalidade, e sim os comportamentos, mas se conseguimos mudar um comportamento, não estamos diretamente mudando esse pequeno traço da nossa personalidade?

47.1. Gabrielas

Se eu consigo mudar o meu jeito de pensar e olhar o mundo, é porque eu mudei o modo de ver e estar no mundo, logo, eu mudei uma parte de quem eu sou. Mudar ou trocar COMPLETAMENTE de personalidade é algo que realmente não se tem precedentes, por conta da herança genética e das experiências de vida que fazem de você quem você é, as quais você não pode voltar no tempo e apagar ou reescrever, seria necessário nascer de novo e compor outra personalidade.

A referência do título trata das divergências das teorias a respeito da personalidade, algumas acreditam que a personalidade, uma vez estabelecida é imutável, enquanto que, para outras, a personalidade é um contínuo de transformação, um estado de fluxo. E assim são as pessoas, existem pessoas cujos traços mais marcantes da personalidade são estáveis, rígidos e outras que apresentam outros traços mais fluidos e livres, o que não torna uma ou outra pior ou melhor. É só pensar nas frequentes comparações entre exatas e humanas, mas claro que aplicando às pessoas são possibilidades muito mais variadas e abrangentes. Frequentemente nos limitamos a uma única qualidade ou adjetivo para definir uma pessoa como, por exemplo, há pessoas intensas, outras são tímidas, explosivas, introspectivas, extrovertidas, egocêntricas, pacíficas, organizadas, austeras, bagunceiras, sensíveis, inquietas, entre outras mil. Uma única palavra expressa uma característica marcante daquela pessoa, porém, não significa que é a maior, nem a única.

A personalidade muda ao longo dos anos, mas também é uma constante por um período de tempo, que é o que determina se uma característica compõe seu modo de ser. Um consenso é que da infância até a adolescência, ela esteja desenvolvida e passando por ajustes, como os gostos, preferências, o modo de pensar, os sentimentos, emoções,  as motivações, os comportamentos e suas experiências de vida, dando forma à sua subjetividade, como se vê, o seu pensar, sentir e agir.

47.2 Raul

Podemos entender que se tratando da personalidade existe uma constante, porém dinâmica, é o que escolhemos, e o que reorganizamos e reajustamos, de acordo com nosso caráter, temperamento e experiências de vidas, que vão transformando nosso mundo, seja pelos comportamentos que externamos, seja pelo ressoar no nosso mundo interno, nossos aspectos cognitivos, afetivos ou fisiológicos.

O que se percebe é um desejo de separar e rotular as pessoas entre bons e maus, como um meio de busca da  perfeição, como se fosse possível corrigir “defeitos” e instaurar uma humanidade totalmente formada por boas pessoas. Tratando- se de seres humanos esse é um ideal fadado ao fracasso e a frustração, pois todos nós temos qualidades e defeitos, não existe bondade absoluta, ou pessoas perfeitas. O que existe em cada pessoa é o potencial para o crescimento, tolerância, respeito e liberdade para ser quem é e se relacionar com o mundo, seguindo um padrão ou estando completamente fora dele.

E não tem problema nenhum nisso: Aceitar quem você é e escolher quem você quer ser. Portanto, entre um ou outro, entre o “eu sou sempre igual, não desejo o mal, amo o natural etc. e tal”, ou o “Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que eu nem sei quem sou”. Permita-se escolher os dois, ou atreva-se a experimentar e descobrir quem de fato é você.

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Autora: Cristina Santana

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