Você já parou para pensar sobre seu relacionamento, no sentido de que ele está sendo o idealizado? Para realização deste artigo, busquei alguns participantes para darem seus pareceres a respeito, partindo de suas próprias experiências. Pode ser observado que o tema mobilizou-os a pensarem sobre seus relacionamentos e até indicaram a necessidade de falarem sobre isso com seu companheiro (a). Esse retorno inicial desses participantes, provocou reflexão do quão pouco paramos para pensar sobre como estamos vivenciando nossas experiências!

Ao longo deste mês de junho, abordamos diversos temas ligado as relações amorosas, e um deles trouxe sobre príncipes ou princesas encantadas. Não se pode negar que os contos de fadas, novelas e filmes tem influência na formação da pessoa que tem contato com eles, principalmente quando ainda criança, porque qualquer meio midiático em larga escala tem poder de impacto na cultura na qual está sendo publicada. O texto falava que conforme fossemos nos envolvendo e se identificando com estas histórias, imaginamos a possibilidade de ela acontecer em nossas vidas reais.

Trouxe esse outro texto que publicamos anteriormente (se você ainda não o leu, corre lá na nossa página do Facebook para conferir), porque ele nos faz refletir que buscamos pessoas perfeitas e para hoje é feito a mesma correlação com o fluir dos nossos relacionamentos amorosos – mesmo se você não foi uma pessoa que tenha tido contato com este tipo de modelos de novelas ou filmes.

É inerente a todo indivíduo ter desejos e almejar algo melhor para nossas vidas, lógico que o ambiente o qual estamos inseridos tem grande importância no processo de sentirmos e identificá-los. É neste “melhor” que entra o “x” da questão. O que é melhor para um é melhor para os dois?  Qual é o seu conceito de “melhor”? Conseguimos alcançar o “melhor”?

Nessa busca por dados reais – considerando que os resultados aqui abordados, não poderão ser parâmetros para definir amplamente o que é uma relação real e/ou ideal -, encontrei alguns elementos que essas pessoas gostariam que ocorressem em suas vidas, vejam eles: não haver brigas, maior empatia, manter o romantismo, ter maior liberdade para fazer aquilo que fazia enquanto solteiro(a), poder viajar com maior frequência, ter maior tempo um com o outro que é desfavorecido pela correria do dia-a-dia e/ou do trabalho exigente de um deles, não sentir solidão, não deixar-se envolver-se tanto com esta correria para buscar uma relação mais próxima do seu ideal, permitir envolver-se com mais intensidade na esfera emocional da relação do que racionalmente, falar mais sobre os sentimentos vivenciados, receber mensagens do companheiro(a) diariamente, que o companheiro(a) fosse mais presente e demonstrasse maior interesse com a sua família, receber mais carinho.

Você se identifica com alguns dados descritos aí em cima?

Pode ser que muitos de vocês digam que sim e se você não se encaixou em nenhuma destas afirmações, não há problemas. Observe que elas se referem as idealizações, mas logo elas só puderam existir partindo da realidade vivida.

Ter idealizações é fonte de motivação e arriscamos dizer que um relacionamento ideal será difícil ser o real. Um dos participantes apontou que reconhecia vivenciar uma relação plena, com muita felicidade, completude e admiração, superando o que planejava como ideal. Mas conforme foi se apropriando da reflexão sobre seu relacionamento, encontrou algo que não foi alcançado. Esta mesma pessoa indicou reconhecer que todo relacionamento tem ciclos e com o tempo e o vivenciado, mudanças nas idealizações ocorrem.

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Essa reflexão é muito pertinente, porque de fato se relacionar é vivenciar ciclos que iniciam ao se conhecer e termina com a morte, real ou simbólica, como a separação. Outro participante indicou que no início da relação o vivenciado é próximo do idealizado, o que é verdadeiro, porque ali estão duas pessoas com plenas motivações de estarem juntas e tudo é novo e excitante. Mas conforme um vai conhecendo melhor o outro, as diferenças vão tendo outro significado e podemos projetar na outra pessoa nossas necessidades, logo essa poderá não lhe corresponder, gerando frustração e distanciamento da relação real do ideal.

Assim como os ciclos, as idealizações também sofrem alterações porque nós seres humanos não somos imutáveis, por que seriam os nossos desejos? Podemos alcançar um aspecto idealizado, mas há possibilidades de outros surgirem. Portanto, a dica não é se conformar, uma vez que sempre será assim. É o contrário. Tudo inicia com o seu autoconhecimento, saber quem você é e onde quer chegar. Depois é compreender e aceitar que o seu companheiro(a) é uma outra pessoa e há diferenças individuais entre vocês, e isso é saudável que exista. Aceitar a individualidade é de extrema importância para alcançar o equilíbrio da relação. E individualidade não é o mesmo que individualismo, porque vocês compartilham uma relação.

Estar numa relação é sempre estar num processo de construção de algo possível. Algumas peças chaves são a confiança, o amor, a empatia, a lealdade, o respeito e a parceria. Precisa envolvimento e para isso precisa de esforços, como poder dialogar sobre sentimentos, sobre as decepções e as conquistas (essa é mais fácil!). É necessário provocar e dar valor nas pequenas mudanças, enfrenta-las de forma a não permitir que situações singelas de descontentamento sejam reprimidas ou acreditadas de bobagens, porque, como já diziam nossas avós com seus velhos ditados populares: de pingo em pingo a água do balde derrama. É assim que encontramos alguns casais com grandes distanciamentos afetivos, apenas convivendo juntos.

Por fim, muitos dos participantes pediram tempo para pensar o que responderiam, porque precisavam refletir antes. E é isso que precisamos provocar em nós sempre.

Permita-se refletir sobre o que está vivenciando e o que quer vivenciar. Permita-se explorar possibilidades.

Permita-se confirmar que o vivenciado é aquilo que te traz felicidade.

Permita-se fazer escolhas.

Permita-se mudar.

Permita-se ser feliz.

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Autor: Juliana Queiroz

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