O poliamor é um termo relativamente novo, mas que vêm ganhando visibilidade e cada vez mais adeptos a essa forma de relacionamento. E como a tendência social e cultural é sempre criar estranheza diante do novo, vamos tentar entender ou pelo menos começar a entender do que afinal, se trata o poliamor.

E antes que se crie um “ismo” desnecessário é importante deixar claro, que os poliamoristas (como se denominam) ou as pessoas que escolheram viver seus relacionamentos dessa forma, não apresentam uma patologia, transtorno psicológico ou perversão por terem feito essa escolha. Infelizmente ainda existem poucos estudos difundidos sobre o assunto, o que torna mais difícil um alcance e compreensão sociocultural, e consequentemente dissemina ideias preconceituosas de acordo com “a moral e os bons costumes”. O relacionamento poliamoroso considera mais importante a conexão por meio de laços de afetividade, onde os adeptos se envolvem em relações íntimas e profundas com vários (as) parceiros (as) simultaneamente de modo a partilhar abertamente, amar mais de uma pessoa e manter relações íntimas e afetivo-sexuais dentro do relacionamento, sempre  de modo aberto e honesto com todos os envolvidos.

Partindo sempre do princípio de que se é livre para poder amar, e desse modo, se relacionar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo O Poliamor poderia ser definido por: Liberdade, igualdade, honestidade e amor. Termos estes muito usados para descrever características que servem como base para a ESCOLHA por esse tipo de relacionamento, que também precisa de autoconhecimento e compreensão de uma total liberdade afetiva para estabelecer e vivenciar as relações.

A monogamia é um modo de se relacionar, que aceitamos como padrão, porém, ele não é, nem nunca foi o único modo das pessoas construírem um relacionamento afetivo-sexual. A poligamia e os relacionamentos abertos são outros modos, ditos como não monogâmicos, mas distinguem-se do poliamor porque muitas vezes tratam-se apenas de diversificar parceiros, onde o vínculo sexual é o único ou mais forte do que os afetivos e de amor, mas estabelecem um relacionamento exclusivo com uma única pessoa. O poliamor por sua vez, segundo os poliamoristas, trata- se de relacionamentos reais e profundos de amor, amizade e afeto, podendo formar famílias de modo a vivenciar o amor.

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Dona Flor e seus dois maridos

Por questões culturais, algumas pessoas encararam esse tipo de relacionamento como promiscuidade, pois ainda é muito presente e arraigado ideias de posse sobre outro em um relacionamento amoroso, e os ideais românticos de que só se é feliz ao encontrar seu par, a metade da sua laranja ou sua alma gêmea. Em contrapartida, o que vem acontecendo e com uma tendência cada vez mais forte é a desconstrução dessas imposições de um único amor idealizado, de ter alguém para sentir-se completo, de dois se tornando um só. O que se percebe é um movimento onde as pessoas buscam companheiros que possam estabelecer um relacionamento sem que ninguém se perca na fusão, onde ambos estejam juntos por uma escolha e não pela necessidade de completude.

Como em qualquer outro, o poliamor não é um tipo de relacionamento que funciona para todas as pessoas, e a ideia não é substituir um padrão por outro, nem um protesto extremista contra a monogamia, a proposta é que cada um seja livre para escolher de que modo vai viver seus relacionamentos, e que existem outras possibilidades e opções além dos padrões normativos socialmente impostos e difundidos, como parte de um processo social maior, mais aberto e livre, porque a diversidade existe em qualquer departamento da vida, tal qual é com as pessoas. A exclusividade mútua vai atender as mesmas necessidades afetivas de determinadas pessoas que se identificam e escolheram a monogamia, desde que também esteja baseada em amor, respeito, e concordância, são diferentes formas de se relacionar para atender diferentes necessidades emocionais, pessoas e personalidades.

Muitos problemas como o preconceito, a intolerância e a violência têm suas raízes na dificuldade ou incapacidade de aceitar o novo, o que foge do padrão socialmente aceito ou moralmente esperado. Claro que, como seres sociais, precisamos discutir e estabelecer alguns meios de convivência e, talvez, o único padrão social realmente importante é o respeito ao próximo. Então que possamos caminhar nessa direção, onde as virtudes mais importantes sejam o respeito e o amor seja ele fraterno, comunitário, romântico, erótico, entre outros…

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Autor: Cristina Santana

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