saúde mental

Saúde Mental e Família

Sabemos o quanto todos de modo mais abrangente menosprezam ou são indiferentes à saúde mental, a começar pela distinção que se faz normalmente entre saúde e saúde mental, quando na verdade ao falarmos de saúde estamos falando de modo integral, o componente mental é indissociável da equação, mas ao se falar da saúde mental, todos automaticamente associam com loucura, com surtos psicóticos, agressividade e violência insana fortemente influenciada por filmes e outras mídias que reforçam os extremos e excessos.

Quando uma pessoa próxima ou familiar é diagnosticada com algum distúrbio ou transtorno mental, geralmente o diagnóstico é seguido por muitas dúvidas, medos, insegurança e preconceito, ainda que seja seu ente mais querido, o diagnóstico dá a ele (a) uma marca instantânea que você mesmo já atribuiu valor negativo, seja por ter atribuído o mesmo valor a outros que apresentaram sofrimento mental e generalizou o extremo ou em decorrência do que você aprendeu que seja um transtorno mental. Frequentemente a família só percebe que há um problema em decorrência de um surto ou situação drástica como uma tentativa de suicídio então quase sempre são “pegos de surpresa” ou talvez só tenham relutado em admitir que houvesse algo diferente.

O adoecimento mental quase sempre dá sinais e indícios de que o mundo interno do outro está se alterando, muitas vezes a própria pessoa não se dá conta, ou não consegue expor para outros que sente que algo está mudando dentro de si mesma e quase sempre essa mudança não é positiva, se faz muito perceptível em alguns casos ao mesmo tempo que  a família  não percebe as pequenas sutilezas que se apresentam em alguns distúrbios, e negligenciam grandes mudanças de comportamento, pois NINGUÉM deseja ou quer admitir que um ente querido esteja “enlouquecendo”, o que se vê muito claramente nos casos de depressão, onde a família tende a acreditar em “preguiça” ou “frescura”, não é como acontece  com um problema de ordem física como diabetes ou uma dor de dente. Num quadro geral do adoecimento mental, a família aparece tanto como causadora da desordem como uma potência no tratamento e suporte o que faz toda diferença na evolução da patologia e na qualidade de vida da pessoa, quando o quadro de adoecimento já está instalado as famílias muitas vezes não têm informações ou preparo adequado para lidar com seus familiares,.

Até recentemente as famílias acreditavam que a única opção era internar seus familiares, muitas ainda acreditam que essa seja a melhor opção, os motivos são os mais variados desde a dificuldade de conviver com alguém em sofrimento mental até a falta de interesse. Não que seja uma tarefa fácil, muito pelo contrário, em tempos de crise, a pessoa fica praticamente inteiramente dependente da família ou do familiar que assume esses cuidados, e de modo geral, mesmo nos dias bons, não é uma tarefa fácil, requer muitos sacrifícios, paciência, compreensão, tolerância e amor , não do tipo que permite e justifica todas as ações do outro porque: “coitadinho ele é doente!” Mas do tipo que enfrenta as dificuldades e sempre estará apoiando, mas não fazendo, vivendo e escolhendo pelo outro, é necessário estimular a autonomia dentro da gama de possibilidades que a pessoa tem escolhas, como cuidados pessoais, trabalhar (se o mesmo tiver condições), viver em sociedade respondendo por suas ações e conduta que não são justificadas por sua patologia.

A internação muitas vezes é vista como um ato da mais alta consideração, pois ao enviarem seus familiares para esses lugares apropriados, eles receberão atenção a todas suas necessidades médicas, conviverão com outros iguais, que entendem a situação, e claro o tratamento nunca é barato, logo se estão investindo tanto dinheiro é porque realmente só desejam o melhor para seu ente querido.

 A (dolorosa) verdade é que na maioria das vezes, a família por falta de informações e preparo quer afastar o problema dos seus olhos, o familiar deixa de ser uma pessoa e torna-se um problema a ser resolvido, logo se você pode delegar para outros ou para alguma instituição acredita que por melhores que sejam as intenções a maior motivação geralmente é o medo, ou cansaço, pois já não sabem mais o que fazer. E realmente algumas vezes não sabem que há outras possibilidades de atenção e convívio com iguais, sem que sejam privados do convívio social ou familiar, isso sem falar do fato que por mais caro que seja o tratamento e local, não significa que seja bom, ou que estará isento de maus tratos, visto que a retirada do individuo do convívio social a força por si só já configura uma forma de violência, o que pudemos observar recentemente naquela ação de retirada de pessoas da cracolândia em São Paulo, dispersar e esconder não é solução eficaz para ninguém e para nenhuma condição psiquiátrica.

Existem exceções, casos mais severos, onde a internação é uma opção para que os indivíduos não machuquem a si mesmos ou a outros, ou que já não possuem nenhuma autonomia ou não são capazes de cuidados mínimos, assim como situações em que as pessoas são internadas até recuperarem estabilidade para voltarem ao convívio da família, o que queremos dizer com isso é que ao se falar em adoecimento mental NÃO podemos generalizar, ainda que seja a mesma patologia, cada organismo vai reagir de um modo, cada ser humano é único na sua subjetividade inclusive se ela envolver uma patologia psiquiátrica, cada caso, por mais semelhante que possa ser, é um caso.

Outro ponto importante é o cuidado com a família, a pessoa com a patologia tem de receber cuidados, mas é essencial que a família ou cuidadores também recebam apoio e tenham acesso a uma rede de suporte, pois como já dissemos, é uma tarefa difícil, por isso os serviços de atenção psicossocial tem se dedicado cada vez mais a cuidar da família que também necessita receber suporte adequado para superar situações de desgaste físico, emocional, mental e psicológico.

PsicON | A Psicologia conectada com você
Autor: Cristina Santana

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