Comportamento Social, Psicologia

Especial Dia das Mães

A maternidade chega para muitas mulheres, mas cada uma vivencia de forma singular. Para algumas a gravidez foi planejada e veio no momento oportuno, regado de desejo e amor. Para outras, veio de forma inesperada, numa fase da vida conturbada que não caberia uma vida a mais.

Até pouco tempo atrás, ser mãe era fundamental na vida das mulheres, praticamente o único objetivo que tinham na vida. Hoje, essa regra não é o norteador das nossas vidas. É uma escolha. E não apenas uma escolha se quer ou não ser mãe, mas quando, como e com quem. Se é que precisa ter um alguém, pensamos aí nas mães solos.

Mesmo com as muitas mudanças sobre a maternidade, ainda é preciso lutar por elas e desconstruir o olhar de uma maternidade romantizada. Prega-se que ser mãe é algo mágico e banhado de encantos. Para muitas mulheres isto é verdade, porque é a concretização do desejo que se iniciou quando um dia pensou em ter filhos, uma escolha que agora vivencia. Quando há elementos que favoreça este processo, como a participação de outras pessoas, estabilidade financeira, não haver indícios de transtornos mentais, potencializa-se o melhor bem-estar desta mulher em estar passando por esta fase. As dificuldades de cuidar de um ser pequenino se anulam, porque sobressai a felicidade de estar vivenciando este momento.

Para outras mulheres, ter filhos é um desejo, mas que não deveria ter se concretizado na fase em que chegou. Muitas vezes por estar estudando, iniciando a vida profissional, não ter independência, o relacionamento é conflituoso ou ainda ser uma gestação como consequência de uma relação sexual pontual. Enfim, há muitas razões para não se querer ter um filho em um determinado espaço de tempo, gerando grandes dilemas para estas mulheres e uma delas é o não querer ser mãe neste momento.

A partir da confirmação de uma gestação, o querer passa a ser a realidade concreta e as dificuldades virão. Tenho observado que hoje as mulheres estão expondo mais sobre este outro lado da maternidade, não para diminuir o prazer de vivenciar este momento, mas para alertar as mulheres que olham para este período apenas como mágico e para apoiar as que vivenciam este lado, mostrando-lhes que é normal as dificuldades existirem.

Para aquelas e aqueles que não sabem do que estou falando, as dificuldades mais simples são: não poder dormir oito horas seguidas e sim acordar muitas vezes a noite para acalentar o filho que chora; não poder tomar um banho demorado, porque o pequenino pode acordar a qualquer momento; alteração total da sua rotina, porque um bebê demanda tempo e dedicação que não fazia parte do seu dia a dia; ter o bico do peito rachado, podendo sangrar, desencadeando dores intensas nas primeiras sucções do bebê.  Outras dificuldades são a vulnerabilidade social que esta mulher – mãe se encontra; a falta de organização familiar para a chegada de uma criança; a falta de dinheiro para suprir as necessidades básicas de todos os integrantes da família; o isolamento social; os transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

Para algumas das dificuldades, a tendência é ir se dissipando e sendo substituídos por outros, como o retorno ao trabalho. Para muitas de nós, trabalho corresponde a geração de renda, garantia de sustento de si próprio e agora dos filhos que dela depende. Para outras, está agregado a realização de um sonho profissional, que desperta satisfação, eleva nosso ego, faz-nos sentir importante para algo. Por isso, o retorno ao trabalho tem o seu valor para cada mulher sem haver discriminação do que é mais ou menos importante.

Muitas destas mulheres, trabalhadoras e agora mães, já conseguiram se organizar para que o filho esteja num espaço de confiança, como em escolas, com cuidadora ou com algum parente. Para outras, este processo gera uma situação de estresse, porque não possui uma rede de apoio significativa, não há escolas públicas para todas as crianças, não há dinheiro para contratar alguém para se responsabilizar pelos cuidados do seu filho.

Veja que estas dificuldades impactam na relação mãe – filho e é por isso que precisamos olhar para estas mulheres com maior empatia. Para você, mãe, olhe mais para si e reconheça os verdadeiros sentimentos que se encontram emaranhados no seu interior. Ser mãe desperta sentimentos que podem ir de um extremo ao outro e nem por isso você não é uma boa mãe.

O psicanalista Winnicott fala da mãe suficientemente boa, aquela capaz de atender as necessidades do seu bebê que vai desde o cuidado físico para sua sobrevivência até o envolvimento emocional com ele, regado de afeto.  Pode ser que durante esta nova trajetória você se encontre cansada, com olheiras, sono acumulado, mas também vai perceber que esta relação mãe e filho vai modificar a sua identidade. Uma nova mulher surgirá.

Esta nova mulher pode não ter um amor imediato, mas pode ser aprendido conforme você vai se relacionando com seu bebê. Pode não saber cuidar de um indivíduo tão pequeno e delicado, mas o tempo vai dar lugar a um conhecimento perfeito sobre este Serzinho que ninguém mais conseguiria interpretar. Esta nova mulher vai perceber que dentre muitas, só você ele vai querer para acalentá-lo e acalmá-lo.

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Por mais difícil que possa ser, por mais cansada e feia se sinta, você vai perceber que tudo é recompensado quando seu filho mostra-se satisfeito por ter você. E isto acontecerá por longos e longos anos, porque mesmo que eles cresçam rumo a própria independência, ser mãe é estar ligada a seus filhos por um fio invisível que não se pode arrancar.

Precisamos desmistificar a maternidade, conversando com todos sobre esta experiência. A você que ouve uma mulher não romantizando a sua maternidade, ouça com empatia, sem julgamento. A você que tem uma mulher-mãe próxima, seja para ela alguém com quem possa contar. A você mulher que é mãe, não se sinta culpada por não estar sendo tão lindo. Até a mais bela rosa possui espinhos compondo o seu encanto.

Há muitas como você passando por isso, mas se não está conseguindo lidar com tudo que está vivendo, procure ajuda. Pedir ajuda não é sinônimo de fracasso, porque fracasso é quando desiste de tentar, mesmo errando.

Há uma linda letra de música da Ana Vilela que diz “segura teu filho no colo / sorria e abrace seus pais / enquanto estão aqui / que a vida é trem bala, parceiro / e a gente é só de passageiro prestes a partir”.

Como mulher que teve um filho no momento em que não caberia uma vida a mais, que fez escolhas que não estavam no planejamento da vida, que passou por dificuldades, muitas descritas aqui. Quero dizer a você permitir sentir, viver e amar na forma mais intensa que existe. Porque foi assim que me tornei mãe, mesmo com os desafios que veio e virão. Aproveite o espaço de tempo que se chama VIDA para vivenciar uma das relações mais profundas e verdadeiras que existe.

Feliz dia das mães!

PsicON | A Psicologia conectada com você

Autor: Juliana Queiroz

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