Sempre nos perguntamos: “Por que sentimos o que sentimos?”. Por que às vezes choramos de tristeza e, às vezes, choramos de alegria? Por que existe felicidade que não cabe no peito? Explosão de alegria? Mas, principalmente, nos deparamos com a seguinte questão: Por que existe raiva, mágoa, angústia, tristeza, medo, dor e insegurança?

O ser humano é produto de energia, que são reações químicas no organismo com bases fisiológicas, neurológicas e ligadas ao campo psicológico. Todo este conteúdo que engloba a subjetividade de cada ser humano juntamente com as manifestações fisiológicas é o que chamamos de AFETIVIDADE.

A afetividade é a capacidade humana em sentir e expressar emoções e sentimentos, portanto, a afetividade é o significado que o indivíduo dá as coisas, as pessoas e as experiências vividas.

A aprendizagem emocional está ligada diretamente à memória. O papel da memória é encontrar o colorido afetivo às lembranças e consolidá-las como memória afetiva, ou seja, é atribuir um valor aos eventos de modo geral. Estes eventos podem ser compreendidos como positivos ou negativos e é exatamente isso que vai criando a teia de emoções e estruturas que nos constitui como indivíduos únicos, que pensam, sentem e vivenciam de maneiras diferentes, às vezes, até a mesma situação.

Por isso, um evento estressante para um pode não significar tanto assim para outro. A perda de um emprego, por exemplo, pode ser altamente dificultoso para uma pessoa ao ponto dela pensar: “Eu não sirvo para nada” ou “eu não sou boa o bastante”; Enquanto para outros podem abrir um leque para novas oportunidades: “Não era para ser meu…”. Pessoas reagem às situações de maneiras diferentes por que estruturam sua emocionalidade de maneiras diferentes e cada um atribui uma carga afetiva de modo único.

A definição de emocionalidade é composta por: sentimento, comportamento e ajustes fisiológicos correspondentes, ou seja, as emoções alteram nosso comportamento visando à sobrevivência do indivíduo, da espécie e a interação no meio social. De modo geral, o conjunto da afetividade é a interação entre o afeto, as emoções e os sentimentos.

O afeto é o que dá razão para nossas emoções. É o sentir sobre cada objeto/ser, ou seja, cada pessoa tem uma realidade individual de percepção ou, em outras palavras, cada ser dá uma carga emocional (positiva ou negativa) para todas as coisas, atribuindo-as em diferentes eventos. Isto é o que chamamos de memória afetiva, juntando a experiência emocional ao fato, modulando e significando cada evento que nos acontece.

A emoção é a expressão do afeto. São ações automáticas ou a carga que acompanha as nossas vivências. São consideradas primárias aquelas que chamamos de inatas ou instintivas, como por exemplo, o instinto sexual ou o instinto de sobrevivência. Também existem as chamadas secundárias que são aquelas consideradas sensoriais (prazer, dor, reações ao medo, por exemplo).

Já o sentimento é o mais elaborado. Temos maiores ações aos sentimentos, pois eles são aprendidos, são alterados de acordo com nossas vivências e é também culturalmente determinado. Para exemplificar, se a alegria (emoção) é um conjunto de reações orgânicas como o sorriso, o “brilho nos olhos”, as palpitações e as reações químicas que acontecem no cérebro; A felicidade (sentimento) é o conjunto da alegria mais os fatores afetivos, subjetivos e do meio que desencadearam este sentimento, como encontrar uma pessoa que você gosta e há muito tempo não a via.

A emoção tem um papel fundamental na modulação da memória afetiva. Ela pode ser fortalecida ou enfraquecida, dependendo da carga emocional que colocamos no evento. Ou seja, cada trauma, conquistas, primeiras experiências, eventos importantes, entre outras situações, que vêm carregadas de fortes cargas emocionais, afetam diretamente toda a nossa química cerebral. A primeira e importante memória que desencadeia todo o evento é chamada de memória explicita.

As estruturas e conexões (sinapses) do cérebro já consolidadas, criam um novo tipo de memória na qual já existe, por carga afetiva de eventos e situações semelhantes, mas que às vezes não temos consciência. Esta é a memória implícita que faz com que toda a carga afetiva já vivida pelo indivíduo, apareça antes mesmo de algum fator desencadeá-la.

Um exemplo comum é o cheiro. Às vezes sentimos um cheiro que nos deixam felizes. Aquele perfume lembra a infância. Aquele cheiro vem carregado de memória afetiva atribuída a eventos positivos.

Outras vezes sentimos um medo intenso por alguma coisa na qual nem sabemos o porquê estamos sentindo aquilo (como o medo de baratas, por exemplo). São o que chamamos de medos condicionados. Não podemos entender qual foi exatamente sua causa. Todas as reações químicas e físicas que são desencadeadas frente a este estímulo fazem parte de um evento (trauma) no qual guardamos na memória afetiva como uma carga negativa.

Todo este processo da ligação afetiva aos eventos podem nos exemplificar sobre os determinantes implícitos em alguns transtornos mentais, já que são acessados muito rapidamente sem termos a consciência ou sem fazermos qualquer avaliação racional antes da memória afetiva ser alcançada.

Um importante processo para alterar o curso de como colocamos cargas afetivas às nossas experiências é o AUTOCONHECIMENTO (leia mais aqui). É reconhecer nossos sentimentos e emoções e buscar o equilíbrio entre o pensamento, as emoções, as ações e comportamentos, a fim de compreender, aceitar ou modificar (se assim o desejar), O que somos, como somos e o porquê somos dessa maneira”. 

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Autor: Bruna Gagetti

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