Psicologia, Saúde Emocional, saúde mental

Let’s Talk! Precisamos falar sobre Depressão

Nossa experiência de vida, como vivemos e nos relacionamos atualmente, por vezes, afasta-nos da nossa própria humanidade. Vivemos um dia após o outro, cada dia no automático, nunca estivemos tão conectados ao mundo e, ao mesmo tempo, nunca estivemos mais distantes de nós mesmos e do outro, isolados em nossas dimensões particulares. As trocas tornam-se cada vez menos reais e falar sobre os próprios sentimentos virou motivo de vergonha.

E nessa inércia despejamos em expectativas irreais de felicidade, ou no fim de semana mesmo, a responsabilidade de nos trazer uma sensação de completude e satisfação que não encontramos em lugar nenhum. Não entenda mal, você deve aproveitar o fim de semana, mas não pode se anestesiar durante a semana toda com a ilusão de que dois dias de “diversão” são a resposta para todos os seus problemas ou que irão fazer de você uma pessoa feliz. E, se mesmo anos de fins de semana “TOP” não levam embora a angústia, a tristeza e o vazio, meu amigo, sua insatisfação crônica é, na verdade, um grito desesperado de ajuda e todo esse quadro só potencializa o surgimento do mal do século.

Nessa perspectiva, saúde mental é a palavra chave e este mês de Abril trará consigo vários movimentos como o Let’s Talk’, que tratam dessa demanda: O cuidado com as emoções, a necessidade de falar sobre elas, de ser ouvido e o acolhimento às pessoas que tem depressão. A importância de dar visibilidade à depressão e à saúde mental, encontra-se em favorecer que as pessoas não tenham medo de falar e buscar ajuda, em desmistificar e diminuir o preconceito com aqueles que sofrem com a depressão.

Para esclarecer e enfatizar mais uma vez, depressão é um problema REAL, grave e incapacitante em alguns casos. Nunca foi uma desculpa para chamar atenção ou para deixar de trabalhar, porém, ainda é fonte de muito preconceito e desconfiança, como se o sofrimento da pessoa não fosse legítimo ou sincero, como se todos nós estivéssemos aptos a avaliar e julgar o mundo interno do outro e assim afirmar o que pode e o que não pode lhe causar dor ou angústia. NÃO PODEMOS! Cada um de nós tem sua própria história, suas próprias vivências e, principalmente, sentimos de formas muito diferentes.

Embora a depressão cause um sofrimento profundo para quem vive com ela, afeta também as pessoas à volta, a família, os amigos, impede as pessoas de manter uma rotina, as impossibilitam de trabalhar, o que gera custos sociais e econômicos para toda sociedade, além de ser responsável pelo crescente e significativo número de suicídios. E se perdas de vida não for motivo suficiente para chamar atenção de todos para a o diálogo, o que mais será? Estaremos nós tão distantes do reconhecimento daquilo que nos tornam iguais? Teremos perdido nossa humanidade?

A depressão pode acontecer com qualquer pessoa, o que inclui todas as idades, de todos os lugares do mundo, de todas as condições sociais, de todos os ambientes familiares, de todas as raças e gêneros e orientações, ou seja, TODOS NÓS! Sem nenhuma distinção podemos enfrentar a depressão ou um episódio em algum momento da vida.

Parte do preconceito é alimentada pela generalização da depressão, ou da excessiva medicalização dos sentimentos, infelizmente, é muito fácil conseguir um diagnóstico de depressão, a descrição de sentir tristeza parece bastar para rapidamente indicar a cura a uma farmácia de distância, é quase como um prevenir já remediando. Se, por um lado, os medicamentos realmente sejam o mais indicado em alguns casos, eles não são a única opção para todos, nem irão resolver as questões que causaram essa tristeza, por exemplo, existe tratamento, mas não existe um só meio de se lidar com ela, e tão importante quanto medicalizar um problema é estar aberto e disponível para escutar o outro por inteiro, por isso é tão importante falar e não se esconder por medo do preconceito.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, a depressão é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. As últimas estimativas da OMS indicam que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, esse número reflete que o medo do estigma da doença mental, e a falta de apoio, de acolhimento e de empatia impedem que todas essas pessoas busquem e recebam ajuda para que possam VIVER  de forma positiva e com dignidade.

No Brasil, temos a campanha Janeiro Branco, um movimento que ganhou grande destaque esse ano por promover e incentivar o diálogo sobre saúde mental, a campanha também está aliada a proposta da OMS, de que precisamos falar e incentivar os outros a cuidarem da sua saúde emocional, de que precisamos mudar e pensar em uma educação que valorize o ser humano e sua subjetividade.

A primeira e fundamental atitude é incentivar que quem tem depressão ou apresente os sintomas FALE, que seja estimulado a falar com alguém de sua confiança, e o falar vem acompanhado de outra atitude muito importante: ESCUTAR, nem sempre as pessoas buscarão ajuda profissional de imediato, e algumas vezes essa escuta é a diferença entre vida e morte. Então seja empático com a dor do outro e o acolha, ainda que você pense que não estará fazendo muita diferença, dê ao outro uma oportunidade de dividir nem que seja por um momento todo o seu fardo, de se sentir mais fortalecido para continuar vivendo, isso não o torna responsável pela vida do outro, isso o faz solidário, humano, e pode fazer uma diferença muito grande para que esse outro encontre forças para buscar ajuda, para que saiba que não está sozinho e isso significa muito.

Promover essa mudança é algo que tem de partir de todos nós, no modo como olhamos o outro, mas principalmente no modo como olhamos para nós mesmos, nos conectar com o outro no mundo real, pois se o outro precisa de acolhimento, você também nesse momento pode estar precisando de alguém que te olhe, que te escute, que te acolha. Então que fique decretado: Falar e escutar sobre as emoções não é, nem pode ser motivo de constrangimento ou inferiorização. A depressão pode ser evitada e tratada, ninguém está só e nós podemos enfrentá-la juntos.

Não ignore ou menospreze os seus sentimentos, não faça pouco caso do modo como se sente porque outros não se sentem igual diante de circunstâncias semelhantes, não se sinta inferiorizado por falar das suas emoções, não se torne refém da tristeza. Todos nós estamos sujeitos a enfrentar problemas e dificuldades e merecemos ser acolhidos, por que não somos máquinas, nós sentimos e o sentir é a essência da vida.

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