Cidadania, Comportamento Social

O que o “Down” tem?

Não é só um cromossomo a mais…

As pessoas, muitas vezes por falta de conhecimento, atribuem características físicas, psíquicas e de personalidade como sendo um só conjunto em pessoas com Síndrome de Down, jogando todos em um mesmo “saco” de características deficitárias e incapacitantes. Mas é importante lembrar que a Síndrome de Down não é uma doença, nem ao menos uma falta ou uma incapacidade.

O que o “Down” tem é a presença de uma condição genética que os tornam indivíduos únicos, em características físicas semelhantes, porém em comportamentos, atitudes, emoções e personalidades individuais, como outra pessoa qualquer. Aliás, a Síndrome de Down é a ocorrência genética mais comum que existe, por volta de um a cada 700 nascimentos. E, se é tão comum que aconteça, porque ainda insistimos em chamá-los de ”diferentes”?

É importante entender que a causa da Síndrome de Down ainda não é cientificamente explicada, ninguém tem culpa, ninguém pode evitar ou mudar o percurso genético. A Síndrome de Down ocorre quando um cromossomo extra surge no par número 21 de todas (ou quase todas) as células do indivíduo, totalizando 47 cromossomos em vez de 46.

Melhor explicando, nossos cromossomos carregam milhares de genes, que são os determinantes de todas as nossas características e herança genética como indivíduo. Todas as nossas células regulares contém 46 cromossomos, 44 formam pares (de 1 a 22) e os outros dois cromossomos são sexuais, ou seja, determinam o gênero (XX para meninas e XY para meninos). No caso da Síndrome de Down, esse cromossomo extra no par 21, também conhecida como a Trissomia do cromossomo 21, traz características específicas para estes indivíduos, tais como: Olhos amendoados, menores em tamanho, com pregas nas pálpebras; Uma única prega na palma da mão ao invés de duas; Membros mais curtos, tônus muscular mais fraco; Língua protuberante. Alguns problemas intelectuais e de aprendizagem também são características, porém o grau pode variar de pessoa para pessoa.

Algumas doenças são de maiores riscos, como problemas cardíacos, respiratórios, disfunções da tireoide, sobrepeso, ente outras, portanto o acompanhamento médico é essencial. Outras intervenções também são necessárias para o estímulo e o desenvolvimento da criança com Síndrome de Down, como por exemplo, o fonoaudiólogo para contribuir no desenvolvimento da fala e da linguagem, o fisioterapeuta para fortalecimento da musculatura, o psicólogo para contribuir na psicomotricidade, problemas de aprendizagem, desenvolvimento de habilidades, etc. Há também outras terapias que vem auxiliando em seu desenvolvimento como a Equoterapia e a Arteterapia.

O “Down” tem sim suas limitações, mas os cuidados não são totalmente diferentes que os cuidados que se faz com outra criança qualquer. O primeiro e o mais importante estímulo é o amor. A necessidade de atenção, de carinho, de afeto, de convívio e interação social. O estímulo à aprendizagem, descobertas, novas experiências. A partir desse ponto ele vai construindo sua própria essência e moldando a sua personalidade, colocando em seu caminho seus gostos, suas preferências, suas opções, suas próprias ações e decisões.

Por isso é importante saber que o “Down” cresce. Ele desenvolve habilidades, constrói potencialidades. Torna-se um adulto. Ele não é um “coitadinho”, um “doentinho”. Ele não é vítima de sua condição. Ele deve trabalhar, relacionar, amar. Curtir, namorar. Ele deve lutar. Ele deve sonhar. Ele deve garantir seus direitos e cumprir com seus deveres.

O “Down” faz parte da sociedade, sua independência deve ser estimulada, respeitando suas limitações, aceitando suas condições e não os colocando como seres incapacitantes ou tratando-os como uma eterna criança. A forma como a pessoa com Síndrome de Down é tratada influencia diretamente em sua autoimagem e autoestima. Ser empático, ou seja, colocar-se no lugar do outro é a melhor forma de tratar o preconceito.

O que o “Down” tem é uma única condição: A de, antes de tudo, ser uma PESSOA! Portanto, ele necessita do mesmo trato e do mesmo respeito que qualquer outro ser humano.

Então, o que a PESSOA com Síndrome de Down tem na realidade é uma vida de amor e um mundo de possibilidades…

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Bruna Gagetti

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