Autoconhecimento, qualidade de vida

Reflexões sobre o tempo, desejos e a inconstância do ser

Algumas vezes sentimos angústias que parecem não ter razão ou explicação, aquela incômoda sensação de que está sempre nos faltando algo, um vazio que tentamos preencher com coisas, as mais variadas. Tenho a sensação de que muito das nossas angústias se devem ao nosso frenético movimento de ir e vir, estamos sempre de partida, sempre com pressa, não podemos perder tempo, as obrigações profissionais, as constâncias (inconstantes) da vida doméstica e familiar, os amigos que tentamos encaixar entre um tempo e outro, uma ‘crisesinha’ aqui, uma ‘queixazinha’ lá, mas quem não as tem, não é? O importante é se manter ativo, produtivo e buscar sempre a excelência.

Conseguimos conciliar e executar 1001 atividades e projetos num só dia, e isso é o que chamamos de sucesso. Terminamos o dia cansado, mas feliz por ter dado conta, e nos esquecemos de que no meio disso não tivemos nenhum minuto para nós, entre todas as funções que já realizamos no automático, sem nem ao menos considerar se é o que você realmente deseja, se o que está fazendo tem algum significado real na sua vida, sempre pensando num ganho financeiro ou de tempo para mais alguma atividade. Esquecemo-nos da importância de silenciar e fazer uma pausa. Vamos costurando nossa tapeçaria da vida com pequenos retalhos, isso quando conseguimos fazer que um momento seja realmente apreciado e vivido e não só mais uma tarefa cumprida, obrigação ou rotina.

Desejamos viajar o mundo, trabalhamos como loucos e nos programamos para isso e realmente a experiência deve ser indescritível, mas de nada adianta conhecer o mundo, se você for um estrangeiro de si. Sabe aqueles turistas de que ninguém gosta?  Reclamam de tudo, não gostam das acomodações, não se sentem bem recebidos em lugar nenhum, fazem bagunça, não aceitam ou toleram nada e com sua visão superficial e crítica só sabem ressaltar os defeitos e os pontos negativos?

Talvez você esteja fazendo isso com você, olhando para si mesmo dessa forma, sem parar para realmente enxergar a si mesmo, vivendo a máxima de que a “grama do vizinho é sempre mais verde”. Mas você ao menos gosta de grama? Você cuida do seu jardim com o mesmo afeto e afinco que o outro cuida do dele? Você quer flores? Ou o seu negocio é pintura a dedo? Ou dança? Enfim, o que você realmente quer?

O que desejamos é o modelo de felicidade que projetamos e/ou idealizamos que seja do outro, sem ao menos nos certificarmos de que é semelhante ao nosso, e afinal qual é o nosso? Quando paramos para pensar sobre nós e sobre o que queremos e o que de fato nos traz essa tão sonhada felicidade?

Pare, respire e olhe para si mesmo, mas faça isso sem buscar aperfeiçoamentos ou para melhorar resultados, faça mais do que olhar, sinta-se, observe-se, aconchegue-se ou escancare-se. Abrace-se, desnude de si e para si. Seja sincero, mas não crítico demais, afinal, são suas “imperfeições” que fazem de você único, soa clichê, mas é verdade, somos mais de sete bilhões, e você pode procurar se quiser, mas ninguém no mundo inteiro é igualzinho a você. Então não se inferiorize ou se torture se suas conquistas são diferentes, você nunca saberá que caminhos o outro passou para chegar até ali e se realmente estão satisfeitos e felizes.

Nem todo mundo gosta de viajar, nem todo mundo quer conhecer o mundo, tem gente que não pratica jardinagem, mas cozinha que é uma beleza; Têm quem precise do silêncio (interno e externo); Outros que necessitem do barulho, que para ele não é barulho, é seu ritmo próprio, é de onde tiram energia; Algumas pessoas tecem suas histórias em fios, outras à tinta, em duas, quatro ou oito mãos (ou quantas mãos quiserem). Se você quer melhorar de vida, concentre-se primeiro em descobrir o que realmente vai torná-la melhor, e não no amontoado de coisas que você deseja possuir porque outros disseram ser o melhor. Descubra-se antes de querer desbravar e conhecer o mundo. Aventure-se primeiro no mundo inteiro que existe em você. Essa é a viagem mais desafiadora e, talvez, a melhor que fará em sua vida.

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Cristina Santana

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2 comentários em “Reflexões sobre o tempo, desejos e a inconstância do ser”

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