Ahh o Carnaval… Gostando ou não, esse é um período extremante importante e celebrado no nosso país, nenhuma outra data é tão aguardada e festejada, NENHUMA! É a marca registrada, faz parte da nossa cultura e pode ser muito positivo para quem vê nesse período uma oportunidade de “botar para fora”, ser outra pessoa, ser alguém diferente de quem se é durante os outros dias, libertos de censura, julgamentos e críticas. Acabamos também externando uma parte de nós que muitas vezes não temos oportunidade ou que está diretamente em conflito com algum elemento da nossa personalidade (profissional, pessoal, familiar), com o lúdico e entrando em contato com esses aspectos, acabamos por nos esvaziar de pressões, nos sentindo mais leves.

Folião é derivado da palavra em Francês folie e significa loucura e, de certo modo, o carnaval proporciona um tipo de “loucura”, onde tudo é permitido. Nesse período as pessoas sentem-se livres para extravasar suas fantasias, de vestir roupas de gêneros diferentes, (homens se vestem com roupas femininas, usam perucas e maquiagens, usam fantasias de princesas e vice versa) De mendigo  a super-heróis, cada um pode ser o que quiser, experimentar e expressar a sexualidade de modo bem explícito. Ninguém tem vergonha de nada e não há limites para ser feliz, pois, ao fim das comemorações tudo será perdoado.

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Há quem não goste da folia e prefira usar o período para por outras coisas da vida em ordem, como ler um bom livro, reunir a família, passear, relaxar, descansar e se preparar para o ano, afinal de contas, o ano só começa de verdade depois do carnaval. Mas então, essas pessoas não têm ou não extravasam suas fantasias e desejos? Elas estarão imunes de “enlouquecer”? Não. É uma escolha pessoal e, ainda que o Carnaval seja um período propicio a essa liberdade de dar vazão às fantasias, não significa que é necessariamente exclusivo para isso. Cada um vai lidar com seus desejos de forma singular e privada, isso não significa que as pessoas que não gostam do carnaval são mais bem resolvidas ou evoluídas, mas que apensas encontram outras válvulas de escape. E claro que seriam necessários meses de carnaval ininterrupto para dar conta das fantasias de todo mundo, o que significa que todos nós também lidaremos com as nossas fantasias durante o resto do ano.

O lado positivo do carnaval é justamente essa liberdade e democracia da festa: Não tem idade, cor, classe, gênero ou orientação. É uma festa para todos! Tanto que alguns grupos religiosos mais conservadores também celebram o carnaval com retiros e atividades adequadas às suas crenças e práticas, mas celebram com festa e alegria.

É importante usufruir da “loucura permitida” com uma dose de responsabilidade, pois, por ser um período onde tudo é permitido as pessoas acabam tendo atitudes que não teriam no dia-a-dia: Consumo de drogas, sexo desprotegido e violência de todos os tipos também aparecem com muito destaque no carnaval. Esses são os excessos autodestrutivos e perigosos, como é a lei da vida, todo bônus vem acompanhado de um ônus, por isso é importante aproveitar a folia, mas manter o bom senso, para que quatro dias não acabem gerando consequências/problemas para um ano inteiro (ou uma vida). Mantenha em mente que a folia por mais prazerosa que possa ser, também traz consequências, então aproveite, liberte-se das angústias, extravase e se deixe levar pela alegria, mas não perca totalmente o controle da vida.

Todo carnaval tem seu fim (Los Hermanos)

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco

Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco

Toda escolha é feita por quem acorda já deitado

Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado

E pinta o estandarte de azul

E põe suas estrelas no azul

Pra que mudar?(…)

Todo o carnaval tem seu fim

Todo o carnaval tem seu fim

E é o fim, e é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz

Deixa eu pintar o meu nariz

Deixa eu brincar de ser feliz

Deixa eu quebrar o meu nariz

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Autor: Cristina Santana

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