Vemos, em uma crescente, dois aspectos consideráveis: O aumento mundial da população de idosos; E o boom dos aparelhos tecnológicos para fins pessoais/recreativos. Mas, o que estes dois assuntos têm em comum?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera idosa a pessoa a partir dos 60 anos de idade. Contudo, os avanços da medicina, da farmacologia, da conscientização da saúde de modo integral (física e mental), os direitos dos idosos assegurados por leis e pelo Estatuto do Idoso, contribuem para uma melhora na expectativa de vida, que, segundo estimativas, duplicarão em 2050, superando inclusive, a população com menos de 15 anos.

Os 60 são os novos 50 (ou até os novos 40)

Observamos uma geração na qual idade é só um número, ou seja, a idade para toda a população não é mais representativo de “tempo de vida” ou “quanto tempo falta para a vida acabar”, mas representa o quanto ainda a pessoa pode fazer, aprender e, inclusive, ser.

 Ao mesmo tempo, é uma geração que rompe barreiras, quebrando rótulos da imagem do vovô e da vovó fraquinho, debilitado, fazendo tricô ou sentadinho na frente de casa, tomando um sol. Nasce uma geração que abre um mundo de possibilidades na ponta do dedo ou em um clique, se arrisca aprendendo algo novo e podem se sentir mais jovens e pertencentes ao mundo.

Para muitos é simples e fácil. Há os que já nasceram com computadores em mãos e o domínio e habilidades para aparelhos tecnológicos fazem parte de quem são. Para os idosos é um desafio, uma forma de sair da desvantagem e se aproximarem dos mais jovens.

Além da atualização e abertura para o novo, é uma possibilidade de encontro consigo mesmo, onde passado, presente e expectativa de futuro os tornam parte de uma experiência única: Da televisão preta e branca a tela plana e 3D; Do evento que era reunir familiares bem vestidos aos domingos para tirar apenas uma única fotografia (e torcer para que esta não queimasse) as selfies; De meses de espera para receber uma carta ou um telegrama a troca rápida de mensagens via WhatsApp.

A revolução digital mostrou que os novos vovôs e vovós podem ser antenados e ao mesmo tempo pertencentes à sua “época”. Ou seja, ainda podem bater na porta do vizinho e conversar sobre o tempo ou curtir as fotos dos netos no Facebook. Tudo como preferirem ou como bem entenderem, pelo simples fato de que ainda então vivos!

Não é só de Smartphones que estamos falando…

O número de usuários da população idosa na internet é uma tendência não só por estarem atualizados ou com um Smartphone em mãos, mas também porque cada vez mais pesquisas vêm apontando os benefícios mentais e sociais que a internet pode proporcionar, tais como:

– Prevenção de doenças como Alzheimer e depressão;

– Auxiliar em tratamentos e reabilitação de algumas doenças, como o AVC, por exemplo;

– Trabalhar e estimular funções cerebrais como memória, raciocínio, concentração, etc.;

– Aprender novos cursos, possibilitar novas experiências;

– Pagar contas online;

– Evitar solidão e isolamento;

– Conversar com filhos e parentes que moram distantes;

– Ter mais contato com os netos, proporcionando um encontro de gerações.

Fazendo a manutenção do seu papel social…

O acesso à internet possibilita aos idosos uma mente ativa e um sentimento de utilidade, ou seja, de sentir-se útil e ter autonomia para cuidar de suas próprias coisas e, ao mesmo tempo, sentir-se presente na vida de seus filhos e netos.

Uns com mais, outros com menos intensidade. Mas, todos à vontade para querer ou não navegar na internet, conforme o seu ritmo. Paciência é a palavra-chave para estimular o idoso a lidar com o meio tecnológico. Deixe-o fazer por conta própria, mexer, fuçar, criar perfis em redes sociais, interagir, comunicar-se, conhecer pessoas novas, errar e tentar novamente. Somente dessa forma haverá interesse em novos conhecimentos e novas ressignificações de seus papéis sociais, proporcionando assim, uma melhora na autoestima e na qualidade de vida.

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Autor: Bruna Gagetti

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