Estamos vendo um mutirão de psicólogos e profissionais da saúde discutindo sobre Janeiro Branco – Uma campanha que envolve a promoção da saúde mental e a despatologização da vida – Ou seja, parar de enxergar a ida ao psicólogo, os problemas, os esquemas mentais e emocionais através de um viés de doença e começar a encarar a vida de uma forma positiva, para o desenvolvimento, de modo integral, que incluam os fatores internos e subjetivos do sujeito.

Janeiro foi escolhido, pois simboliza mudança. É em janeiro que estamos dispostos a começar uma nova dieta, talvez mudar de emprego, a encontrar um namorado (a) e, por que não, a mudar nossos hábitos no que se refere à nossa saúde mental?

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A Campanha da PsicON sobre Janeiro Branco no Facebook traz informações sobre a saúde mental e a atuação do Psicólogo.

Um facilitador de informações e mediador de relações interpessoais é a internet. Nela podemos ter tudo rápido, à mão. “A informação ao alcance de um clique”. Ainda mais, a internet nos torna próximos: Podemos conhecer e acompanhar o crescimento de filhos de nossos amigos/parentes distantes; Podemos acompanhar nossos ídolos e descobrir que ele são humanos como nós; Podemos ver onde fulano passou as últimas férias; O que sicrano comeu no almoço… Ok! Tudo isso é legal, não queremos falar de exposição midiática só por falar. TODO MUNDO SABE: É PERIGOSO!

Isso não quer dizer que temos que correr fechar a conta hoje… Parar de comentar Facebooks alheios… Ou sair dando deslike em tudo o que já curtimos um dia…

Corremos uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que sabemos o perigo envolvendo as exposições (como check-in no localizador do Facebook, que informa o local que você está no momento ou as transmissões ao vivo), é legal mostrar a sua realidade, compartilhar momentos com os amigos e pessoas queridas. Mostrar para o mundo que você venceu de alguma forma: Comprou um carro novo, formou-se na faculdade, teve um filho e adora postar suas gracinhas e bagunças.

O fato é que tudo isso aumenta nosso primitivo de egocentrismo. Ou, a grosso modo, o desejo de ser o centro das atenções, sem se preocupar, por exemplo, como o outro irá receber “a mensagem”. É certo que gostamos de dividir momentos, compartilhar emoções, expor opiniões. Receber likes e elogios então, nem se fala…  A cada nova curtida nos dá uma sensação de grandeza, prazer imediato. Ativa nossa caixinha chamada cérebro a querer um pouco mais dessa chuva de likes e, então começamos a nos distanciar do real e a viver o superficial.

Distanciamos do nosso real sentimento. A necessidade de agradar é na verdade uma necessidade afetiva, de ser aceito. Vive-se um mundo ilusório, principalmente em redes sociais. É a briga ‘Terra de ninguém’ vs. ‘Essa conta é minha, faço o que eu quiser’ e é aí que entra a importância da saúde mental.

Você já pensou sobre os próprios sentimentos antes de expô-los em uma rede social? Será que isto que você está expressando é o que realmente sente? Pois, somos quase que obrigados a viver em um status de felicidade sem limites, euforia, vida “perfeita” e quando emitimos uma mensagem que pareça tristeza ou angústia, logo somos bombardeados por frases como “Não fica assim… Não vale a pena”; “Olha tudo o que você tem!” (provavelmente essa pessoa viu tudo o que você tem em seu Facebook)… Ou baseamos a vida em correntes de oração. Não é que não se deve fazê-las, mas, veja bem: O que você está fazendo pela sua própria vida? Mandar “améns” não irá mudar, se você também não sair do lugar. Lembre-se: De mil amigos, quantos você realmente conhece? Quantos têm contato? Quantos te conhecem intimamente?

A falta de compreensão, de limites, de afetos e de empatia roda o movimento social dentro e fora da internet e não quer dizer que ninguém vai realmente estar feliz quando curtir uma foto sua em um momento alegre, ou que ninguém irá te auxiliar em um momento difícil compartilhado em um status de tristeza, mas, essa mesma tristeza na verdade, pode ser indicativo de uma doença, como a depressão, por exemplo, que só quem é capaz de auxiliá-lo verdadeiramente é um profissional capacitado para isso.

Falar dos sentimentos não faz parte da nossa cultura. Falamos de problemas externos, aflições superficiais, mas nunca realmente tocamos nosso íntimo. Nem nós mesmos temos o contato com quem somos de verdade. Acreditamos, erroneamente, que se estiver em frente ao computador, estamos cercados de segurança, quando na verdade estamos cada vez mais expostos, sem um respaldo e nem consciência das consequências e prejuízos psicológicos que isso pode causar.

Ao contrário do que todo mundo pensa, campanhas do tipo “Conte a um Psicólogo. Não conte ao Facebook” não quer que você se isole do mundo e feche sua conta da rede social. Ela (e outras) tem por objetivo desmistificar a figura do psicólogo apenas como um “escutador de problemas”. E encarar para o fato de que ninguém na rede social e na vida de modo geral será capaz de compreender suas dores sem emitir julgamentos de valores. Ao contar suas angústias, mágoas, dores, e também, necessidades, desejos, afetos, alegrias, vitórias, conquistas a um psicólogo, você começará a compreender mais de si mesmo, encarando seus problemas de modo positivo, aceitando-se e, com o tempo vai compreendendo que a necessidade de se expor em uma rede social era uma inútil necessidade de ser aceito pelo outro, quando, na verdade, você deveria ser aceito por si mesmo.

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