Quando fui pesquisar sobre inteligência, só para contextualizar, coloquei na busca de imagens do Google as seguintes palavras: “inteligência” e “inteligente”. A maioria das imagens, como já era de se esperar, remetem as pessoas de óculos (Opa! Ponto para mim!), geralmente em poses pensativas (sou uma pessoa super pensativa), que estão fazendo cálculos ou têm total domínio matemático (Não! Definitivamente não sou boa com a matemática e é por conta disso que sou de humanas). =)

Mas o que isso representa? Que eu não sou inteligente por não dominar os números tão brilhantemente como um gênio da engenharia?

Voltando um pouco para a história, o antropólogo e matemático Francis Galton (primo de Charles Darwin), compreende que o desempenho intelectual de uma pessoa se faz por medidas mensuráveis adequadas, como peso, altura, audição, visão, força, reflexo e capacidade respiratória, que indicam os indivíduos mais e menos capazes. Para ele, desempenho intelectual tem a ver com condições físicas saudáveis. Sua proposta era o princípio da Eugenia, ou seja, a espécie humana poderia ser melhorada a partir de uma seleção artificial, evitando cruzamentos indesejáveis e, criando assim, uma “raça” de homens e mulheres “perfeitos”. Mas, o que define desempenho adequado ou não apto como propôs Galton? Quem definiu o peso, altura e as demais características tidas como ideais?

Algum tempo depois, aprofundando os estudos sobre memória, atenção e concentração, o pedagogo e psicólogo Francês Alfred Binet, juntamente com o psicólogo Theodóre Simon, criaram uma escala mensurável com base em aptidões e habilidades para o sistema de ensino infantil. Nasceu então, o primeiro teste de avaliação da inteligência juntamente com o conceito de idade mental. Os testes psicológicos foram (e ainda são) recursos muito importantes para a compreensão das potencialidades do indivíduo.

Foi a partir daí que as habilidades do ser humano começaram a ser estudadas e cada vez mais compreendidas pelos pesquisadores: a inteligência parou de ser avaliada apenas pela capacidade de raciocínio lógico-matemático (senso comum) e muito menos pelas aptidões físicas e começou a adquirir conceitos com base na cognição, como o raciocínio, memória, atenção, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

Então, o que de fato define a inteligência de uma pessoa?

Não é mais um fator que determina a capacidade do indivíduo, mas sim um conjunto de fatores e mecanismos cerebrais que compreende a condição de intelecto de um sujeito. Medir a inteligência passou a ser um conceito amplo tendo em vista a visão integral e, ao mesmo tempo, singular do ser humano.

O psicólogo Howard Garner fundou a Teoria das Inteligências-Múltiplas, a partir de sete diferentes competências, propondo uma visão pluralista da mente para as diversas capacidades do ser humano. São elas:

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Todo mundo possui as sete inteligências em níveis variados. O que diferencia umas das outras são o aprimoramento e o potencial desenvolvido por cada uma, de acordo com o ambiente, os aspectos culturais e sociais vividos. Embora existam predominâncias, as inteligências podem trabalhar isoladas ou juntas, criando diferentes níveis de interação. Sendo assim, cada indivíduo compõe uma diferente estrutura intelectual.

Mas mesmo assim: Por que existem pessoas que consideramos muito inteligentes, mas que não têm sucesso ou que não são felizes?

O fato é que até pouco tempo atrás não ligávamos aos aspectos emocionais do nosso organismo. Ninguém compreendia as emoções e os sentimentos como parte integrante do “eu”. Hoje, vemos muitas pessoas sofrendo de transtornos emocionais e passamos a enxergar as emoções, sentimentos, afetos e humores, como parte importante do bom funcionamento de um indivíduo. Sentimos porque é preciso estabelecer vínculos e com o meio ao nosso redor, mas, principalmente, sentimos porque é necessário criar ligações afetivas conosco.

Os sentimentos contribuem como um alerta às nossas necessidades (instinto de sobrevivência). Por exemplo, o medo é necessário ao instinto de segurança; o sentimento de pertencer a um grupo é essencial à necessidade de aceitação e de não-rejeição, pois somos seres de apego e não gostamos do isolamento. Além disso, nossas emoções nos auxiliam na tomada de decisões, funcionam como um alerta à nossa integridade física, psicológica, social, etc. Desta forma, a inteligência amplia as qualidades do ser humano a partir do equilíbrio emocional e da capacidade de autoconhecimento.

O conceito de Inteligência emocional, proposto pelo psicólogo americano Daniel Goleman é novo, ampliando a visão do que é ser inteligente. As características do conceito proposto por ele são as atitudes frente às emoções desenvolvidas pelo próprio sujeito, ou seja, identificar e interpretar suas emoções com mais facilidade é um importante passo para o crescimento pessoal, pois auxilia no desenvolvimento de habilidades como o autoconceito, o controle emocional, a empatia, a resiliência, a automotivação, o desenvolvimento de habilidades sociais, entre outros.

Daniel Goleman mapeia cinco áreas da inteligência emocional, separadas por inteligência intrapessoal e Interpessoal: As habilidades são:

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Já reparou que não existem pessoas desinteligentes?

Em mais uma de minhas buscas pelo Google, percebi que não existe o antônimo de inteligência. Encontramos palavras como estupidez, ignorância, idiotice, burrice, mas nada que de fato caracterize uma pessoa desprovida de inteligência. O motivo é simples: não existe falta de inteligência. Todo mundo tem a capacidade de criar e desenvolver novas habilidades, tudo vai depender da sua automotivação e da sua persistência diante das adversidades e frustrações. O modo como você modifica e ressignifica as situações negativas. Para mim, a inteligência está na capacidade de se construir como um ser humano verdadeiro, aquele que não foge dos seus sentimentos, que é engajado com as mudanças, que olha de forma empática para o outro e pode reconhecê-lo como diferente e ao mesmo tempo como seu semelhante.  Para mim, o verdadeiro inteligente é aquele que é grato à vida e luta todos os dias por ela.

Portanto, não dá pra julgar um ser como inteligente apenas por usar óculos, ou por ter somente habilidades matemáticas…

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Autor: Bruna Gagetti

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