Comportamento Social, Saúde Emocional

Luto Coletivo: A Dor de Um é a Dor de Todos

O luto por si só é um processo muito delicado, não há palavras ou expressões que possam traduzir ou descrever precisamente essa que é uma das sensações mais dolorosas vivenciadas pelo ser humano e ainda que as encontremos, o modo como sentimos é tão mais complexo, de dor quase incalculável. E se no universo particular de cada um já é um processo que demanda um maior cuidado, tempo e aceitação, quando ocorre numa escala de grandes proporções ou sem proporções, uma vez que não se pode medir a dor de tantas pessoas, parece ainda pior. A tristeza, a dor, a sensação de impotência, de injustiça, de vulnerabilidade, entre outros sentimentos causam tamanha comoção que parece que o mundo inteiro para e chora um pouquinho conosco também.

Seja um desastre natural, uma tragédia, um atentado extremista –  o impacto é muito forte! Causa um grande choque! São muitas vidas interrompidas, muitos sonhos ceifados prematuramente, mas com todas as obrigações e compromissos, com a rotina do dia a dia, pode levar um tempo para realmente sentirmos algo que se relacione a situação ou algo que seja desperto por essa motivação, até que alguma informação, algum gesto, algum detalhe lhe permite se colocar em outro lugar, no de semelhante, no de ser humano, para entrar em contato com esses sentimentos que ficaram por horas conflitando-se dentro de você. É importante que nesse momento seja permitido vivenciar, extravasar esses sentimentos da forma que cada um achar melhor, não acumular ou ignorá-los, pois podem vir à tona em outros momentos e amplificados por outras situações que podem causar problemas mais sérios, ou evoluir para um luto patológico, portanto, aceite-os, permita-se dar liberdade para fluir ao que está sentindo.

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Cada um tem a sua maneira de lidar com a dor do luto, mesmo em casos de tragédias e luto coletivo, cada um sente de forma individual.

O luto coletivo é distinto do luto individual, e a elaboração dessas situações também. O sentimento coletivo acaba se dissipando de forma gradual e rápida, deixando suas marcas ou lições de forma subjetiva, ou seja, cada um vai dar um significado muito pessoal para os sentimentos que experimentou. O luto individual, principalmente dos familiares das vítimas, é ainda mais subjetivo, íntimo, em um espaço de tempo muito particular e precisa ser muito respeitado, pois não é algo de que se possa curar. A dor da perda é algo que precisa ser vivida e elaborada para que se possa seguir em frente, o que se pode oferecer é o estar presente, o amparo e apoio, respeitar a dor do outro e como ele a expressa. Algumas pessoas acreditam que falar ajuda, outras preferem o calar, ficar quietinhas para entender e processar todos os acontecimentos. Os rituais e manifestações coletivas de despedida possibilitam uma melhor aceitação da realidade, para começar a entender melhor como tudo aconteceu, mesmo que seja devagarzinho.

Infelizmente talvez esse processo seja o melhor, ainda que o mais doloroso, exemplo de empatia, a dor do outro ressoa em nós mesmos e nos mobiliza manifestações muito positivas: Solidariedade, compaixão, fraternidade, afeto na forma mais genuína, pois é nesse momento que acolhemos a dor do outro que acabamos por abraçar um pouco das nossas próprias dores e que somos mais autênticos com os nossos próprios sentimentos e pesares.

Respeitando devidamente a dor e o luto individual dos familiares e pessoas mais próximas, o fenômeno do luto coletivo também nos ajuda muito a refletir para valorizar mais quem somos e o que temos de realmente mais importante, o que sentimos, as nossas relações, as pessoas que mais nos são queridas, as oportunidades, e instantes que vivemos, porque ao contrário do que dizem, ninguém é substituível, cada pessoa tem um valor e significado único na vida de alguém, e é principalmente nesses momentos de perda que nos damos conta disso, da fragilidade da vida e como tantas vezes cantada a vida é um trem bala, é tão rara… A vida é um sussurro, um suspiro, um sopro…

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Cristina Santana

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