Saúde Emocional

O Luto de nós mesmos

A morte é o algoz definitivo e certeiro desse meteórico luzir de existência que chamamos de vida, e ao longo dessa jornada vamos sofrendo perdas que são pequenas mortes, a morte da infância é o nascimento da adolescência, a morte de um sonho, é o principio de uma nova história. É fato que vivenciamos o luto de forma mais concreta quando a morte leva alguém próximo e querido, mas o luto está presente aí, intangível e subjetivo em todas as nossas pequenas e ínfimas perdas. Algumas são inevitáveis, seja para continuar crescendo e vivendo, seja porque não temos controle sobre a vida, ela simplesmente acontece, e uma hora se finda.

 Perdemos algo cada vez que alcançamos uma nova conquista, com cada novo passo, a vida caminha assim, perdemos para seguir em frente, então a perda faz parte do viver. Vivemos a experiência de luto com pessoas, ideais, valores, e até mesmo com planos e expectativas, com tudo que estabelecemos um vínculo afetivo, em algo que depositamos nosso afeto.

Sentimos pesar, diante de uma tragédia, nos consternamos com a dor do outro, e esse sentir muito pelo outro é uma condição positiva, é sinal de que sentimos empatia pelo luto de pessoas que nem conhecemos, mas nos identificamos, porque a morte nos fragiliza, mas também é o atestado imutável da nossa igualdade, todos nós chegaremos ao fim.  É um processo natural, que devemos desmistificar, não para viver esperando o dia do Adeus, mas para não temê-lo ao ponto de se privar de experiências, criando fantasias e tabus que nos causam sofrimento e angústia e consequentemente ressoa em todos aqueles de quem recebemos afeto e que também temem por nós, por nossas perdas e por nos perder.

Tão pouco devemos fugir, ou evitá-lo, esse é um momento que tem de ser vivido, em algumas situações temos que sofrer para ficar mais fortalecidos, esse é um desses momentos.  Respeite seus sentimentos, e permita-se sentir dor e tristeza, cada um tem seu próprio tempo convivendo com essas duras emoções, mas é importante que elas estejam de passagem e não se tornem companheiras permanentes.

Há quem enfrente um tipo mais traumático de luto, o que surge de forma violenta e inesperada, uma ausência que não se justifica, porque foi cedo demais, brusca demais, dolorosa demais, simplesmente injusta.

E como passar por esse processo?  Não há um padrão a ser seguido. A forma como cada um vai lidar, refletir e enfrentar uma perda, é tão distinto como as formas que se há para perder, como ao que atribuímos significativo valor emocional, em diferentes contextos, e em diferentes épocas, por isso é um processo muito pessoal, não necessariamente solitário, porém não há norma universal que oriente como você deve lidar com as emoções para superar de forma mais rápida, mesmo por se tratar de um contínuo, um curso, que demanda o tempo de cada um para aceitar melhor quando algo ou alguém que amamos segue o próximo passo da vida.

Aceitar não quer dizer esquecer, nem significa não sentir mais saudade ou mascarar a tristeza, é conseguir recomeçar e se reconstruir, e ao invés de guardar magoas, dores e rancores, abrir espaço para cultivar as lembranças alegres e positivas do amor perdido, do sonho frustrado, da experiência interrompida, do colega que se mudou, do bichinho de estimação, de mais um ano perdido com a chegada do aniversário ou com o fim de mais um ano, de alguém que estará vivo, preservado e eternizado nesses fragmentos de memória, do que sempre sentirá saudades, mas dor, não mais.

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Cristina Santana

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