Cada vez mais vivemos em um mundo virtual, conectado e compartilhado e, cada vez menos, paramos para analisar quais as consequências de toda essa interação.

A internet e a divulgação e exposição em redes sociais tem tido um crescente e preocupante aumento em casos de dependências, compulsões (vícios em geral), ansiedade, estresse e depressão.

Para os casos de depressão, iremos citar quatro situações que tem demonstrado altos índices de comportamentos e ideações suicidas, dos casos mais simples até os mais graves, como é o caso do Cyberbullyng e dos crimes virtuais.

A ditadura da felicidade – A situação não é incomum: Você começa a fuçar no Instagram ou Facebook como quem não quer nada. Entre fotos aleatórias, vê uma foto de uma pessoa bonita. Muito bonita.  Decide que vai visitar o perfil desta e olha todas as fotos. Começa a sua própria sessão de tortura…

Foto de biquíni (“Maldita! Que corpo fantástico!”). Foto na praia em plena segunda-feira (“Como é que pode!”). Foto com o namorado (“Uau! Casal de deuses!”). Foto no restaurante mais badalado da cidade (“Hmmm que prato chique, deve custar o meu salário!”). Foto em uma lancha (“Aí é sacanagem!”). Foto em Paris… Madri… Roma… Disney… (“Até na Disney?! Vou ali me matar e já volto…”).

Brincadeiras a parte, o negócio parece muito simples, muito básico: Ninguém fala seriamente esse tipo de coisa não é? A gente sente sim uma pontadinha (ou pontadona) de inveja daquela vida MA-RA-VI-LHO-SA de algum artista ou de alguém que faz muito sucesso nas redes sociais (incluindo de Socialites à Blogueiras).

Isto não é e nem deveria ser um problema. Almejar uma vida “boa” e querer conquista-la até deveria ser meta de vida.  Acontece que muitos dos usuários podem estar passando por graves crises, situações e até problemas psicológicos sem ao menos saber. Dentre eles, o mais frequente é a depressão. E é então que a coisa muda de figura.

Antes de achar que sua vida é uma porcaria e que não tem sentido, devemos sempre lembrar que a “Senhora-Miss-Perfeita” da foto não é tão perfeita fora da foto. Ela tem problemas como todo mundo, inclusive, também pode estar passando por sérios problemas emocionais.

Nós vivemos em uma ditadura de que ser feliz o tempo inteiro é uma obrigação! Pior! Ser feliz é sinônimo de possuir coisas. Estamos cansados do modo como conduzimos a nossa vida que, sem querer, recortamos passagens aleatórias da vida de outras pessoas (sejam elas as “Deusas do Instagram” ou o vizinho que acabou de trocar de carro) que parecem sempre muito felizes e satisfeitos. Isso faz com que nos esqueçamos de tomar o foco para nossas conquistas, ainda que pequenas, e valorizar a nossa própria vida.

Essa desvalorização pode gerar consequências negativas, entre elas, a apatia, a síndrome do “nada de bom acontece comigo”, a paralisação da vida, gerando outras graves como transtornos ansiosos, pânico, depressão e até mesmo ideações suicidas.

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Exposição Emocional – Se por um lado algumas pessoas postam nas redes sociais a vida perfeita, regada de coisas e de felicidade sem medida, por outro lado, algumas expõem sentimentos e aspectos emocionais. Essas pessoas sentem que tudo deve ser compartilhado, desde o prato de comida do dia a uma briga familiar, mas não tem a dimensão do número de pessoas que pode atingir.

Usar o Facebook como conselheiro não é legal, uma vez que existem pessoas do outro lado, se achando no direito de opinar sobre sua vida, de fazer julgamentos, mesmo sem sequer te conhecer.

Ora, mas você não deu liberdade? Sabemos que no fundo não. Mas, o fato daquela mesma briga familiar estar exposta para quem quiser ler e comentar…

A pessoa se sente insegura com a situação na qual está vivenciando e expõe na internet, muitas vezes como uma forma de procurar ajuda, ainda que sem a consciência disso, usam a rede social como um desabafo, ou como uma forma de tentar “atingir o outro”, porém a sensação de alívio é momentânea e quanto maior a exposição, mais grave se torna o problema.

O perfil das pessoas que se expõe emocionalmente na internet é de quem está sofrendo de crises de insegurança, sejam voltadas para um relacionamento, problemas no trabalho, problemas com a imagem corporal e pessoal e até, nos casos mais graves, de depressão. As ideações suicidas também são expostas escrevendo assuntos sobre morte, sobre tristeza e solidão.

Isolamento social – Mais uma cena comum no nosso dia a dia: Em uma mesa qualquer de uma lanchonete, um grupo de quatro ou cinco jovens conversam… Cada um com o seu celular…

O uso excessivo das redes sociais pode fazer com que as pessoas se isolem socialmente, fazendo com que o indivíduo deixe de participar de atividades cotidianas. O vício em internet tem características como a vontade intensa em ficar conectado, trazendo prejuízos cognitivos, sociais, queda no rendimento e na produtividade, entre outros; angústia e desconforto quando está longe de um aparelho ou desconectado da internet; insônia, depressão e transtornos ansiosos.

Enquanto as pessoas gastam horas vivendo e se relacionando virtualmente, o mundo real está cada vez mais solitário, fazendo com que as disfunções orgânicas e as alterações de humor fiquem cada vez mais abaladas, como é no caso da depressão, causando sentimentos de apatia, falta de vontade, sentimentos de culpa, inutilidade, fracasso, vontade de sumir e de morrer.

Cyberbullyng e Crimes Virtuais – Dentre os exemplos citados, os crimes virtuais são os que mais causam mortes por suicídio. São geralmente vítimas de ofensas, calúnias, injúrias, preconceitos ou são expostas por terceiros, como é o caso de mulheres que tem fotos ou vídeos vazados na internet.

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Em todo o mundo há casos de suicídio cometido por mulheres que tiveram sua intimidade exposta na internet.

O Cyberbullyng é a agressão feita a uma pessoa ou um grupo por meios virtuais. Os casos mais comuns são racismo e injúria racial, preconceito com a opção sexual do indivíduo e homofobia, e difamação e atendados contra a reputação de adolescentes e jovens mulheres.

Uma grave característica do Cyberbullyng é que o agressor se considera seguro, por criar contas e perfis falsos e por ser difícil a identificação, mantendo-se no anonimato e quase nunca ser punido ou pagar pelos seus crimes.

Os crimes mais comuns praticados nas redes sociais são:

  • Calúnia: Inventar histórias falsas sobre alguém;
  • Insultos: Falar mal ou mesmo insultar uma pessoa;
  • Difamação: Associar uma pessoa a um acontecimento que possa denigrir a sua imagem;
  • Preconceito ou discriminação: Fazer comentários de forma negativa sobre religião, etnias, raças, etc.
  • Apologia ao crime: Criar comunidades que ensinem a burlar normas ou mesmo que divulguem atos ilícitos já realizados;
  • Divulgação de material confidencial: Revelar segredos de terceiros, bem como materiais íntimos, como fotos e documentos;

O abuso sofrido nos casos de crimes virtuais é de cunho psicológico, nem por isso é menos danoso que o abuso físico, trazendo graves consequências às vitimas, como traumas, problemas com a autoestima, isolamento social, depressão e suicídio.

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Bruna Gagetti

 

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