Comportamento Social

Cultura de Estupro: Quando se aprende a ser homem e mulher? – Parte II

Quando pensamos qual é o lugar da mulher na história do mundo percebemos que o papel da mulher foi construído como inferior ou subordinado aos homens, além da criação dos estereótipos do que seria o papel do homem e da mulher, comportamentos e condutas que são socialmente impostos e esperados de homens e mulheres, um fardo que acaba tolhendo a liberdade de serem como e o que quiserem ser.

Tudo se inicia de modo quase inocente, nos primeiros anos de vida, quando se tem coisas de meninas e coisas de meninos, brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos, cores para meninas diferente das cores para meninos, esportes, comportamentos e exigências do que se espera de meninas e meninos. E todos esses padrões e valores estão tão enraizados na cultura e no pensamento coletivo, que parecem inofensivos, porém não os são, muito pelo contrário, são essas normas antiquadas e completamente discriminatórias e arbitrárias que corroboram para disseminação desses pensamentos que mulheres e homens devem se comportar de determinado modo, e que a fuga a regra merece ser castigada e punida, ou seja, justifica a conduta e comportamento violento dos homens perante as mulheres.

Meninos são fortes, meninas frágeis e delicadas, meninos brincam com espadas e são agressivos, meninas devem ser recatadas. Parece inocente não? Ninguém diz a um menino que ele deve se comportar com recato para não provocar ou incitar desejo nas mulheres, que estão no seu direito, são todos assim mesmo, a libido é desenfreada; ninguém diz a um menino que ele tem que se dar ao respeito, se não as mulheres não vão respeitá-lo.

A mulher se tornou propriedade, bem de consumo dos homens, símbolo de poder e virilidade, quanto mais mulheres um homem se relacionar, maior seu prestígio. O corpo da mulher vende, de carros de luxo àquela caninha no “Zé da esquina”. O corpo da mulher é um bem público, aberto a apreciação, exploração, e tudo mais que satisfaça a incontida natureza dos homens.

Nessa situação onde a mulher é um objeto, ninguém vê nada fora do normal, a sociedade aceita, nós apoiamos, é assim que as coisas são desde que o mundo é mundo. Invertendo os papéis, se um homem se torna objeto, a mulher que o vê assim e o trata como tal é suja, imoral, é vulgar, não é uma boa mulher, para casar então, nem pensar!

Um homem ao ver uma mulher na rua, não importa qual idade tenha, sente-se no direito de fazer um comentário malicioso. Uma cantada, é algo comum, é algo tão banal e comum que não incomoda, não incomoda outros homens que aplaudem e incentivam esse tipo de violência, porque isso é uma violência, porém, é visto como algo engraçado, é motivo de riso, é algo perpetuado entre homens geração após geração, e assim eles APRENDEM a serem “homens de verdade”. Do mesmo modo, aprendem com outras mulheres que também apoiam e reproduzem esses mesmos pensamentos arraigados e sexistas, mulheres que também não se incomodam de criar seus filhos e ensiná-los a diferenciar coisas de meninos.

we can do it
26 de Agosto é o Dia Internacional da Igualdade Feminina

Se existe um responsável por isso, somos todos nós, homens e mulheres que apoiamos e reproduzimos esses conceitos. Todos nós que já rimos de um comentário ou piada de mau gosto que diminui a mulher como pessoa. Nós que apontamos o dedo e julgamos o modo como o outro se veste ou se comporta. Nós mulheres que não somos solidárias à outras mulheres julgando seus hábitos, o modo de pensar e a aparência. Nós mulheres que reforçamos os padrões idealizados do que é ser mulher e do que os homens esperam de uma mulher. E todos nós que ensinamos as nossas crianças os mesmos padrões.

Se o seu coleguinha te agride na escola é sinal de que gosta de você, e assim associamos que quanto maior a violência, maior o sentimento e apreço em relação a você. Violência que vem travestida de cuidado e proteção, em crises coléricas de ciúmes, sentimento de posse, na criação de dependência psicológica, agressão verbal e física, mas ainda assim, violência. Se uma coleguinha julga seu cabelo ou aparência, é porque realmente talvez você precise mudar e se adequar, o que talvez seja uma violência ainda maior, porque partiu de alguém que é igual e sofre os mesmos julgamentos e pressões que você.

O que deveria ser ensinado é que toda pessoa merece ser respeitada, não importa se é homem ou mulher, menino, menina, que as pessoas são diferentes sim, mas que todos têm direitos iguais e merecem respeito tanto quanto qualquer um, que as roupas, comportamentos e a sexualidade de cada um é algo que só diz respeito a essa pessoa, e não estão abertos a julgamento público. Que o corpo e os desejos de cada um pertencem a cada um, que tem direito e liberdade de escolher o que quiserem fazer com ele, e ninguém tem o direito de opinar sobre isso. Cabe a nós acabar com esses estereótipos e começar a enxergar homens e mulheres como realmente são: Pessoas! Que independente de qualquer construção ou expectativa social merecem respeito!

PsicON – A Psicologia conectada com você

Autor: Cristina Santana

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